A adaptação animada de Batman: Knightfall chegou ao VOD com uma abordagem bem mais fiel aos quadrinhos do que a trilogia de Christopher Nolan. E isso inclui um nível de violência que surpreendeu até quem produziu o filme. Segundo o produtor Jim Krieg, em entrevista ao Polygon, a equipe queria contar a história de Bane como ela é nos gibais, sem as liberdades que o cinema costuma tomar. Todo mundo nesse time respeita o Nolan e curte aquela trilogia, mas a gente ainda é nerd de quadrinhos, afirmou Krieg. Quando há grandes desvios da fonte, a gente fica um pouco frustrado.

O primeiro filme da trilogia, Batman: Knightfall – Part 1, já está disponível para aluguel no Apple TV e Prime Video. A trama acompanha Bane desde a infância brutal na prisão de Santa Prisca, onde foi cobaiado com o esteroide Venom, até sua chegada a Gotham e a explosão do Asilo Arkham para libertar os vilões. Batman passa dias sem dormir tentando recapturar todos, o que o deixa física e mentalmente destruído. Bane não é só um monte de músculos bombados, mas uma máquina de calcular, diz Krieg. Ele não vence o Batman pela força, mas pela estratégia de desgastá-lo aos poucos.

O longa também introduz Azrael (Jean-Paul Valley Jr.), o vigilante religioso que ganha uma cena de abertura violenta contra traficantes de humanos. O produtor supervisor Rick Morales conta que a própria Warner Bros. pediu para aumentar a intensidade. Mandamos o primeiro corte do primeiro ato para os executivos e uma das notas foi: ‘Acho que podemos queimar o rosto desse cara aqui e mostrar’, relembra Morales. Recebi luz verde para ir mais intenso e violento. Não vou dizer que não é gratuito. É, mas é proposital, guiado pela história. O Batman não está cortando rostos. É o Azrael que mata, que é super violento, e isso mostra o contraste entre as duas filosofias.

A produção contou com o Studio Mir (The Legend of Korra, X-Men ’97) para trazer o tom e a estética dos anos 1990, época do lançamento do quadrinho original. Todo mundo é fortão, brinca Morales. Até o Tim, que tem 15 anos, tem músculos sobre músculos. Nos anos 90 tudo era extremo — grande, ousado e raivoso. O Batman não era legal o suficiente como estava. Ele precisava de espinhos e manoplas de metal.

Krieg explica que adaptar uma saga que durou mais de um ano nos quadrinhos exigiu cortes dolorosos, mas que a ideia é expandir o universo de Azrael nos próximos filmes. Ele é meio que o Boba Fett do universo do Batman, compara. É uma imagem que as pessoas conhecem, mas não sabem a história. Espero que ao final da série ele seja tão conhecido quanto o Coringa.
Visão Gamer: Para quem acompanha as animações da DC, a proposta de Knightfall é entregar uma versão mais próxima dos quadrinhos do que os filmes live-action, incluindo a violência que marcou a fase. O fato de a própria Warner ter pedido cenas mais explícitas indica que a produção não está segurando a barra no quesito fidelidade. Resta ver como o público que só conhece o Batman do cinema vai reagir a um Bane que vence pelo cérebro, não pelos músculos.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/batman-knightfall-producers-interview/.
Fonte: Polygon.
2026-09-19 12:00:00








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