A desenvolvedora Crystal Dynamics e a publicadora Amazon Games confirmaram que o remake Tomb Raider: Legacy of Atlantis utilizou ferramentas de inteligência artificial generativa durante seu processo de desenvolvimento. A revelação veio por meio de uma declaração adicionada à página do jogo na Steam, na qual a equipe afirma que “ferramentas assistidas por IA foram usadas durante o desenvolvimento para apoiar algumas explorações iniciais e conteúdo temporário”. O comunicado ainda ressalta que “quaisquer ativos gerados por IA foram substituídos ou refinados por humanos para manter a visão criativa e artística da equipe de desenvolvimento”.
Apesar da tentativa de amenizar o impacto, a notícia gerou reação imediata e majoritariamente negativa entre os fãs da franquia. No subreddit dedicado a Tomb Raider, as opiniões variam entre a esperança de que a onda de IA generativa simplesmente desapareça e uma resignação sombria de que essa é a direção inevitável do desenvolvimento de jogos. O remake do clássico de 1996, que tem lançamento previsto para fevereiro de 2027, agora carrega o peso de ser mais um título a adotar a tecnologia controversa.
Em entrevista ao Polygon, Jeff Gattis, gerente geral da Amazon Games, defendeu a postura da empresa em relação à IA generativa. “Temos sido bastante otimistas em relação à GenAI e sei que é um tópico muito controverso, mas não tanto em termos de como fazemos jogos, e sim jogos que podem ser feitos com grandes modelos de linguagem, que não poderiam ter sido feitos há três ou cinco anos”, afirmou Gattis. Ele acrescentou: “Acreditamos que há oportunidades para criar novos tipos interessantes de jogos feitos por humanos, mas jogos que não poderiam ter sido feitos há três ou cinco anos”.

A declaração, no entanto, deixou dúvidas sobre o que exatamente significa “jogos feitos com grandes modelos de linguagem”. Gattis pode estar se referindo a algo como os NPCs movidos a IA generativa da Nvidia ou talvez a uma nova forma de geração procedural. Em termos mais concretos, a Amazon já lançou um jogo de festa com IA no serviço Luna chamado Courtroom Chaos – Starring Snoop Dogg. A descrição da página do jogo explica que os jogadores se revezam improvisando depoimentos ficcionais para defender seu caso, e “tudo é moderado pelo dinâmico Juiz Snoop Dogg, movido a IA”. A página do jogo apresenta abundância de imagens geradas por IA que lembram um episódio surreal do programa Judge Judy, e, francamente, tudo é bastante desolador.
A rejeição à IA generativa por parte dos jogadores não é novidade. Na semana passada, fãs de Hideo Kojima ficaram envergonhados ao ver o auteur em um vídeo gerado por IA da Prada. A Nvidia foi alvo de críticas por sua nova tecnologia de alternância DLSS que “embelezou” Grace, de Resident Evil: Requiem. Já o concurso de arte com IA de Party Animals provocou uma onda de avaliações negativas na Steam. Além das preocupações trabalhistas, do medo de roubo de arte e das questões ambientais, o motivo mais direto para a impopularidade da arte gerada por IA é que muitos jogadores a consideram hedionda.
O caso de Tomb Raider: Legacy of Atlantis reacende o debate sobre os limites éticos e estéticos do uso de IA na indústria de games. Enquanto a Crystal Dynamics afirma que os ativos gerados por IA foram revisados por humanos, a comunidade permanece cética. A verdadeira dimensão do uso da tecnologia no jogo só será conhecida quando o título for lançado, em fevereiro de 2027, também confirmado para o Nintendo Switch 2. Até lá, a polêmica promete render discussões acaloradas entre defensores e críticos da inovação.
A Amazon Games, por sua vez, mantém sua aposta na IA generativa como ferramenta para viabilizar projetos que antes seriam impossíveis. Resta saber se o mercado e os jogadores aceitarão essa visão, ou se a resistência atual se consolidará como um movimento duradouro contra a adoção da tecnologia no desenvolvimento de jogos.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/tomb-raider-legacy-of-atlantis-ai-amazon-explanation/.
Fonte: Polygon.
Polygon.com.
2026-06-03 16:51:00








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