Cofundador de Outlast conta que playtester fugiu do estúdio chorando e não voltou

Trabalhar com terror extremo tem um preço. Philippe Morin, cofundador da Red Barrels, estúdio responsável pela série Outlast, revelou em entrevista ao GameSpot que o material pesado dos jogos já afetou pessoas envolvidas diretamente com a produção — inclusive um playtester que, após algumas horas de sessão, saiu correndo do estúdio para chorar do lado de fora e não retornou.

Morin não especifica se a pessoa era funcionária ou colaboradora externa, mas o episódio ilustra como a abordagem da Red Barrels vai além do susto tradicional. Segundo ele, a violência explícita nunca foi uma estratégia para gerar polêmica, e sim uma preferência pessoal dos fundadores. “A gente não começou pensando ‘ah, precisamos fazer o jogo mais sangrento que existe’”, explicou. “Foi mais tipo ‘estamos fazendo um jogo de terror, então obviamente vai ter gore’. Lembro que até o roteirista falava desde o começo: ‘nunca é sangue demais’.”

O estúdio diz levar em conta o impacto desse conteúdo na hora de contratar. Nas entrevistas de emprego, a Red Barrels deixa claro que tipo de material é produzido e quais conversas circulam no dia a dia. “As pessoas precisam estar confortáveis com isso, porque obviamente você ouve coisas no estúdio que, se você falasse em outro lugar, acabaria numa reunião com o RH”, afirmou Morin.

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Fonte da imagem: Pcgamer. The Outlast Trials – Official Trailer | IGN Fan Fest 2024 – YouTube

Mesmo assim, a transparência nem sempre funciona. O cofundador relembrou o caso de alguém que começou a trabalhar numa segunda-feira e pediu demissão na quinta. A pessoa sabia do gore e da violência, mas tinha um ponto sensível em relação à religião e não se sentiu à vontade. Morin não crava a data, mas é provável que tenha acontecido durante Outlast 2, cuja trama gira em torno de um culto cristão violento.

Apesar do desconforto interno, o público abraçou a franquia. The Outlast Trials, jogo mais recente da série, vendeu 500 mil cópias na primeira semana de acesso antecipado, e a franquia como um todo soma 60 milhões de jogadores desde 2013. Ou seja: se a Red Barrels um dia fizer Outlast 3, dificilmente o estúdio vai suavizar a mão.

Visão Gamer: A declaração escancara algo que quem curte terror extremo às vezes esquece: por trás de cada cena chocante existe uma equipe lidando com esse material por horas a fio. Para os jogadores, o recado é que a identidade visceral da série deve continuar intacta — e o histórico de vendas e alcance da franquia sugere que esse público não deve diminuir tão cedo.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/games/horror/outlast-designer-says-that-one-playtester-was-so-upset-by-the-horror-series-they-ran-out-of-the-studio-to-go-cry-outside-and-didnt-return/.

Fonte: PC Gamer.

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2026-10-18 11:18:00

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