Os simuladores de fazenda costumam seguir uma fórmula familiar e reconfortante. Para quem já jogou vários, a rotina é quase previsível: plantar, regar, colher, vender e repetir. Mas Ritual of Raven, desenvolvido pela Spellgarden Games, subverte essa expectativa logo no início, apresentando uma proposta que mistura magia, programação e cartas de tarô em um universo pixelado e encantador.
O jogo, já disponível para Nintendo Switch e PC, coloca o jogador em uma vila pitoresca, com um terreno próprio e um mundo repleto de bruxaria. A surpresa vem quando se tenta tocar em uma planta: as mãos nuas arruínam a magia das plantas, e regadores tradicionais não funcionam. Em vez da barra de ferramentas comum a jogos como Stardew Valley, o jogador recebe um baralho de cartas de tarô, usado para programar um robô de pedra que cuida da irrigação das plantações.

A mecânica de encantar um constructo pode não parecer agricultura à primeira vista, mas entrega uma satisfação semelhante. O jogador arrasta o corpo do robô, que lembra um vaso, para um tile e encaixa uma carta de ação. O processo é um pouco desajeitado no começo, mas, como acontece com a automação na vida real, depois que se aprende, o trabalho pesado entra no piloto automático. É possível regar muito mais plantas do que se conseguiria manualmente, mesmo que o robô ocasionalmente regue uma cerca em vez de um canteiro.
Dominada essa mecânica de agricultura via programação via tarô, o jogador pode explorar a vila e conhecer seus moradores excêntricos, cada um com suas próprias agendas. Sage, a bruxa que divide a casa com o protagonista, aceita o jogador como compensação pelo desaparecimento de seu familiar, Flufferstoop. Ela treina o jogador até que ele obtenha seu próprio familiar, um corvo chamado Raven (que, diga-se, tem opiniões fortes sobre o nome), e então desaparece, deixando o jogador com Raven e um grimório.

A vila está cheia de moradores que enviam o jogador em missões de coleta, cada um com preferências específicas de presentes: alecrim para Dan, que administra a lanchonete; flores de sabugueiro para Umbrielle. No final de cada dia, que dura cerca de 20 minutos, é possível pescar na borda de um portal. Mas não é uma pesca tradicional: o jogador opera uma garra mecânica para capturar sombras antes que elas fujam ou desapareçam no vazio. Os itens capturados podem ser guardados, vendidos ou doados a um dos três museus da cidade, cada um dedicado a um tipo de item: fragmentos de feitiços, cristais e objetos supostamente inúteis, como um bloco de tofu, um prendedor de cabelo ou lixo espacial.
Para os completistas, essa mecânica é uma armadilha divertida, que faz o jogador esquecer que está realizando tarefas. Entre a pesca, a decoração da casa e a leitura do grimório, é possível passar horas sem tocar na história principal, algo típico dos simuladores de fazenda.

Para quem vem de jogos como Fields of Mistria, Ritual of Raven apresenta algumas diferenças. O sistema de constructos exige tempo para ser aprendido, e é comum cometer erros, como esquecer de verificar as condições do campo ou regar o local errado. Além disso, o jogo é mais linear do que os mundos abertos, e esconde muito conteúdo secundário atrás de marcos da história principal, que podem exigir tarefas específicas, como cruzar 16 flores híbridas de um tipo específico durante uma fase específica da lua. Apesar da precisão e da complexidade, a companhia dos personagens torna a experiência menos tediosa.
O grande apelo do jogo está nos personagens, na arte e na história que se desenvolve continuamente, mesmo depois de dominar a mecânica de cartas. Umbrielle, uma presença invisível, passa sua arcana ouvindo e espalhando fofocas, até que sua história termina com ela se tornando visível e dona de seu próprio jornal. Coco, a antiga Seedseer que administra a loja de sementes, pode envolver o jogador em uma campanha de RPG de mesa para outro morador, o que inicialmente parece uma distração, mas acaba sendo um dos motivos para continuar jogando.

A trama principal envolve salvar a vila de portais instáveis que causam estranhezas na vida de todos, mas é fácil se perder nas missões secundárias. O jogador fecha o jogo todas as noites prometendo fazer apenas mais uma missão, e sempre acaba jogando por muito mais tempo.
Ritual of Raven já está disponível para Nintendo Switch e PC.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/ritual-of-raven-farming-sim-tarot-cards/.
Fonte: Polygon.
2026-08-18 17:30:00








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