Lanterns une drama policial e faroeste em nova série da HBO com toques de Watchmen e Yellowstone

A nova aposta da HBO em séries de super-heróis, Lanterns, chega com uma proposta que mistura investigação policial, faroeste e ficção científica. Criada por Chris Mundy (Ozark), Damon Lindelof (Watchmen) e pelo premiado roteirista de quadrinhos Tom King, a produção de oito episódios coloca frente a frente dois personagens marcantes do universo Green Lantern: Hal Jordan (Kyle Chandler) e John Stewart (Aaron Pierre). A trama, que estreia em 16 de agosto na HBO e na HBO Max, já está sendo comparada a obras como True Detective, Watchmen e Yellowstone, e a crítica que teve acesso aos primeiros sete episódios garante que a série entrega exatamente o que promete.

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A história começa com uma cena que remete à lenda do herói suíço Guilherme Tell, que atirou uma flecha em uma maçã sobre a cabeça do próprio filho como punição por um ato de rebeldia. Em Lanterns, porém, o ritual é apresentado de forma distorcida: o pai de John Stewart coloca uma maçã na cabeça do filho ainda criança e atira, acertando a fruta. O que poderia ser um conto heroico se transforma em um ato de crueldade, um ritual para condicionar o menino a não sentir medo. A cena é ainda mais impactante porque John acabara de assistir a uma entrevista de 1996 em que Hal Jordan explicava sua própria coragem: ele perdeu o pai, um piloto de testes, aos oito anos, e desde então acreditava que o pior já havia acontecido. Quando o anel do Green Lantern o escolheu e perguntou se ele tinha medo, a resposta honesta foi não.

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Essa justaposição entre as origens do medo de Hal e de John estabelece o conflito central da série. Hal é um veterano cansado, de postura encurvada, que carrega o peso de décadas lutando contra as piores ameaças do universo. Ele é sarcástico, muitas vezes de ressaca, e confia em seus instintos, tratando a autoridade como um obstáculo. John, por outro lado, é um soldado disciplinado, que segue ordens à risca, mas também é reflexivo e criativo. Quando a série começa, os dois já trabalham juntos há dois meses, mas Hal ainda resiste à ideia de precisar de um parceiro. A dupla é enviada para investigar um massacre em Rushville, uma pequena cidade de Nebraska, que pode ter ligações extraterrestres. O que eles descobrem os leva a uma conspiração de proporções muito maiores.

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A atmosfera de Lanterns é deliberadamente construída para agradar aos fãs de faroeste moderno, como Yellowstone. Em Rushville, homens rústicos trocam farpas ao lado de caminhonetes, uma família poderosa domina a comunidade e os moradores usam chapéus grandes enquanto montam a cavalo com armas. Esse cenário neo-Oeste ancora a mitologia cósmica, evitando que a série se perca nos elementos mais estranhos dos quadrinhos do Green Lantern. Para quem espera ver Mogo, o planeta vivo que também é membro do Corpo dos Lanternas Verdes, é melhor procurar outra produção.

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O mistério central de Lanterns é envolvente por si só. A tranquilidade da cidade vai se tornando cada vez mais perturbadora à medida que Hal e John encontram evidências de algo sinistro sob a superfície. Os trailers já mencionaram uma raça alienígena chamada Manhunters, e a série dosa bem a revelação de seus maiores segredos, sem se tornar frustrante. Os mistérios acrescentam novas camadas aos personagens, em vez de criar reviravoltas apenas por impacto. A investigação avança em ritmo constante, e cada revelação fortalece a parceria entre os dois protagonistas.

A produção também tem cuidado com o espetáculo de super-herói. A paleta de cores é suave, e o brilho esmeralda do anel do Green Lantern ganha um tom verdadeiramente sobrenatural, acompanhado por um som distorcido. Apesar do cenário realista, a série não abandona a tecnologia alienígena nem as grandes ideias sobre coragem e força de vontade. Em vez disso, dá uma escala mais humana à mitologia cósmica, sem perder a essência do personagem.

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Um dos pontos mais fortes de Lanterns é a forma como lida com o atrito entre os protagonistas. Hal e John não precisam se gostar para se respeitarem. Eles discordam o tempo todo, mas o conflito nunca parece forçado, e a conexão que os mantém unidos também é genuína. Como Rust e Marty em True Detective, eles percebem que, apesar das irritações, é aquela pessoa ao lado no carro que querem por perto quando tudo dá errado. A química entre Kyle Chandler e Aaron Pierre é essencial para isso.

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Photo: John Johnson/HBO MaxFonte da imagem: Polygon

Chandler, aliás, surpreende na pele de Hal Jordan. O ator, conhecido por papéis em séries como Friday Night Lights, traz uma versão muito diferente do personagem visto no cinema. Em vez do piloto de testes impecável e cheio de vigor, seu Hal é um homem marcado pelo tempo, com um andar levemente curvado e um cansaço visível. Ele vende o charme, a exaustão e a arrogância do personagem na mesma medida. Sua aparência desleixada esconde um herói legítimo, que usa as baixas expectativas dos outros a seu favor. Quando alguém está em perigo, a fachada cai e ele age sem hesitar, com ou sem o uniforme.

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Image: HBOFonte da imagem: Polygon

Aaron Pierre, por sua vez, é a revelação da série. Seu John Stewart é um homem que passou a vida carregando as expectativas dos outros, e Pierre transmite isso com um controle impressionante. Sua postura, seu foco e sua presença sugerem um homem perigoso que aprendeu cedo demais que cada movimento importa. Seus olhos claros o fazem parecer um Lanterna mesmo sem o anel, como se ele tivesse passado a vida se moldando à imagem que alguém criou para ele. O conflito interno de John é o coração emocional da série, e Pierre o interpreta com uma profundidade notável.

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Image: HBOFonte da imagem: Polygon

Lanterns também dialoga com o legado de Watchmen, a série que Lindelof desenvolveu para a HBO. Ambas as produções usam a mitologia dos super-heróis para examinar a experiência negra na América, especialmente o trauma herdado e as instituições que decidem quem pode ter poder. Embora não aprofunde esses temas tanto quanto Watchmen, a série deixa claro que as ideias sobre medo e heroísmo estão ligadas à identidade de John Stewart como homem negro. Hal perdeu o pai e acredita que nada pior pode acontecer; John foi criado para navegar em um mundo assustador que frequentemente ignora pessoas negras, enquanto carrega as expectativas de uma família determinada a garantir que ele nunca seja ignorado. A série encontra amor e crueldade nessa preparação, e Pierre encontra a pessoa por trás dela: um homem pensativo e emocionalmente reservado, tentando descobrir quais partes de sua identidade realmente lhe pertencem.

Essa luta interna dá a Lanterns uma força emocional considerável. A coragem costuma ser tratada como um requisito simples para entrar no Corpo dos Lanternas Verdes, mas a série a apresenta como uma ferida psicológica. Hal e John são extraordinariamente corajosos, mas ambos tiveram que perder algo profundo para chegar a esse ponto. A pergunta você tem medo? é respondida com um não por ambos, mas a série nunca questiona essa resposta. Em vez disso, o drama vem de refletir sobre o que eles perderam para alcançar essa coragem. Ser um super-herói pode ser legal, mas será que vale a pena? Essa é a questão que Lanterns deixa no ar, e que promete manter o público preso até o final.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/lanterns-review-hbo/.

Fonte: Polygon.

2026-08-14 16:00:00

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