Há exatamente um ano, em 14 de agosto de 2025, a equipe do PC Gamer começou a monitorar semanalmente os preços das placas de vídeo mais recentes do mercado. A ideia era simples: encontrar, a cada semana, o menor valor pelo qual cada GPU das gerações atuais da Nvidia, AMD e Intel poderia ser comprada, sempre em lojas confiáveis e com produto novo, lacrado. Doze meses depois, o balanço é desanimador: os preços nunca estiveram tão altos, e a perspectiva para o consumidor é cada vez mais sombria.

O levantamento, que segue uma metodologia rigorosa, envolve um editor dedicado a vasculhar o mercado em busca das ofertas mais baratas disponíveis. Não são considerados produtos recondicionados, de vitrine ou vendas de terceiros em marketplaces com nomes suspeitos. A intenção é capturar o preço mínimo que um leitor precisaria desembolsar para adquirir o chipset desejado naquela semana. No entanto, os dados refletem apenas o melhor cenário: o preço médio praticado no varejo costuma ser bem mais alto, e boas ofertas são exceções em um mar de valores elevados.

Quando o monitoramento começou, em agosto de 2025, a situação já não era boa. A combinação de estoque baixo e demanda alta mantinha os preços de todas as fabricantes bem acima do preço sugerido (MSRP), uma realidade que se arrastava desde o lançamento de cada placa. Todos os GPUs lançados em 2025 tiveram o mesmo destino: oferta inicial insuficiente e preços prometidos que evaporaram rapidamente, em um movimento que o editor Dave James classifica como ‘ganância corporativa’. E isso foi antes do que ele chama de ‘RAMpocalypse’, a crise de memória que viria a agravar ainda mais o cenário.

Houve um breve respiro em outubro de 2025, descrito como um momento ‘inocentemente ignorante sobre IA’, quando praticamente todas as placas, exceto a RTX 5090, puderam ser encontradas por valores iguais ou abaixo do MSRP. Foi o auge da bonança, mas durou pouco. Assim que as promoções de Black Friday terminaram, no fim de novembro, o mercado virou de cabeça para baixo. A crise de memória começou a afetar diretamente a produção de GPUs, e os preços voltaram a subir, começando pela RTX 5080 e se espalhando para praticamente todos os modelos, empurrando os valores para cima durante o novo ano.

A comparação entre os preços mínimos de 14 de agosto de 2025 e os de 14 de agosto de 2026 revela aumentos expressivos em toda a linha. A RTX 5090, por exemplo, saltou de US$ 2.400 para US$ 4.400, uma alta de 83,3%, o maior aumento percentual do período. A RTX 5070 Ti subiu de US$ 780 para US$ 1.030 (32,1%), e a RTX 5060 Ti 16 GB passou de US$ 430 para US$ 650, um acréscimo de 51,2%. Mesmo as placas de entrada não escaparam: a RTX 5050 subiu de US$ 250 para US$ 299 (19,6%), e a Intel Arc B570, de US$ 230 para US$ 260 (13%).

Entre as placas da AMD, a RX 9060 XT 8 GB teve alta de 32,1%, passando de US$ 280 para US$ 370, enquanto a versão de 16 GB subiu 27%, de US$ 370 para US$ 470. A RX 9070 XT, por outro lado, foi a que menos aumentou, com alta de apenas 2,9%, de US$ 700 para US$ 720, e a RX 9070 subiu 8,3%, de US$ 600 para US$ 650. A Intel Arc B580 também registrou aumento de 19,2%, saindo de US$ 260 para US$ 310.

O levantamento semanal detalhado mostra que os preços mínimos oscilaram ao longo do ano, com alguns picos e quedas pontuais. Por exemplo, a RTX 5080, que começou em US$ 1.110, chegou a cair para US$ 929 na semana 6, mas depois disparou, atingindo US$ 1.380 na semana 19. A RTX 5070 Ti, que iniciou em US$ 780, chegou a US$ 670 na semana 5, mas fechou em US$ 1.030 na semana 18. Esses números ilustram a volatilidade do mercado e a dificuldade de encontrar boas ofertas.

Diante desse cenário, a pergunta que fica é: para onde vamos? O editor Dave James, responsável pelo levantamento, admite que não sabe, e pede que qualquer pensamento positivo seja bem-vindo. A crise de memória, que começou a afetar o mercado no fim de 2025, não dá sinais de trégua, e os preços continuam em trajetória ascendente. Para quem está pensando em montar um PC novo, a recomendação é acompanhar de perto as atualizações semanais de preços e, se possível, esperar por momentos de queda, como o observado em outubro, antes que a situação piore ainda mais.

A equipe do PC Gamer promete manter o monitoramento, na esperança de que o mercado se estabilize e os preços voltem a patamares mais razoáveis. Até lá, resta ao consumidor brasileiro, que já sofre com a alta do dólar e impostos, torcer para que a situação melhore. Afinal, como o próprio editor conclui, ‘nunca esteve pior do que agora’.
















































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