O gênero dos simuladores militares de tiro em primeira pessoa (milsim) costuma dividir opiniões: enquanto alguns jogadores buscam realismo extremo, outros preferem uma experiência mais acessível, no estilo de Battlefield. O novo jogo Wardogs, desenvolvido pela equipe por trás de Battalion 1944, parece ter encontrado o equilíbrio perfeito entre esses dois mundos. Após cinco horas no teste fechado realizado no último fim de semana, o entusiasmo em torno do título é justificável: ele combina a profundidade tática de Arma com a fluidez de Battlefield, e ainda adiciona uma economia inovadora que transforma cada partida em uma experiência única.
A primeira impressão de Wardogs vem de um momento memorável: dentro de um helicóptero de transporte, com as pernas balançando no vão da porta, o piloto liga o rádio e toca ‘Flight of the Valkyries’. Três passageiros começam a cantar em desafinação, com o VOIP atrasado dois segundos em relação à música. O piloto interrompe a apresentação com uma pergunta: ‘Pulem rápido quando virem grama, porque estamos indo para a zona quente. Quantos de vocês compraram paraquedas?’ O silêncio no helicóptero é a resposta. Esse tipo de momento caótico e imprevisível é o que define Wardogs.

O piloto em questão é o mesmo que levou o jogador à linha de frente no início da partida, mais de 40 minutos antes. Ele passou o tempo todo transportando tropas, sem nenhuma eliminação, mas ocupava uma posição no top 5 do placar, com mais de US$ 35 mil em moeda do jogo. Isso ilustra uma das mecânicas centrais de Wardogs: o dinheiro. Ao pousar em zona de combate, o jogador paga uma gorjeta de US$ 25 ao piloto e, seis segundos depois, é atingido por um tiro na cabeça. No chão, com uma bala no crânio, surge o dilema: desistir e perder os US$ 2.600 investidos no equipamento, ou esperar por um revive. Em jogos como Battlefield, a impaciência levaria a um respawn imediato, mas em Wardogs o dinheiro fala mais alto. O jogador pressiona F1 para ‘subornar’ qualquer pessoa nas proximidades, oferecendo US$ 100 por um resgate. O valor sobe para US$ 150 e depois para US$ 300, até que alguém finalmente aceita o risco e arrasta o corpo para um local seguro, trazendo o jogador de volta à ação.
Wardogs é um FPS exclusivamente PvP, com servidores para 100 jogadores. No modo principal do teste, três equipes disputam o controle de um mesmo território em um mapa gigantesco. A equipe com mais jogadores dentro da zona marca pontos, mas ocupar a ‘zona quente’ – uma área menor dentro do círculo – vale por dois corpos, o que concentra a maior parte dos confrontos. O formato é diretamente inspirado em um mod popular de Arma 3 chamado Arma: King of the Hill.

No espectro entre o ‘Arma hardcore’ e o ‘Battlefield básico’, Wardogs encontra um meio-termo exato. As armas são responsivas e a mecânica de tiro é acessível. Em um nível básico, tudo o que o jogador precisa fazer para contribuir é ficar na zona de captura e atirar nos inimigos – se você entende Battlefield, Wardogs não será um grande salto. Mas, ao aprofundar, revela-se um metajogo logístico familiar aos fãs de milsim: construção de FOBs (bases avançadas), defesas, transporte de suprimentos e controle de locais estratégicos.
O diferencial mais marcante de Wardogs é a economia. Os jogadores ganham dinheiro em nível de conta por realizar qualquer ação produtiva: eliminações, permanecer na zona de captura, curar aliados, transportar companheiros de equipe. Esse dinheiro é usado para comprar equipamentos. Além disso, é possível usar o dinheiro para dar gorjetas ou subornos, como visto na situação do resgate. Essa mecânica adiciona uma camada de jogo de extração: o jogador monta um loadout com milhares de dólares em armas, capacetes, coletes, munição, gadgets e bandagens, e coloca tudo em risco. A sobrevivência se torna um objetivo pessoal, e a melhor chance de sobreviver é permanecer perto dos aliados.

A estrutura de incentivos é inteligente e vai além do sistema de XP de Battlefield. Cada vida funciona como uma incursão: você se equipa, sai, e tenta ganhar mais dinheiro do que perdeu. A boa notícia é que a distribuição de dinheiro é generosa o suficiente para não gerar obsessão com a carteira. No teste, o jogador obteve lucro em 9 de cada 10 vidas, simplesmente ficando no objetivo, curando aliados e conseguindo algumas eliminações ocasionais.
Com lançamento previsto para 10 de setembro em acesso antecipado, Wardogs já demonstra potencial para se tornar um dos grandes nomes do gênero. A combinação de ação acessível, profundidade tática e uma economia que incentiva o trabalho em equipe de forma orgânica pode atrair tanto veteranos de milsim quanto novatos. O teste fechado deixou claro que a expectativa em torno do jogo é justificada – e que a ‘hype’ pode ser real desta vez.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/games/fps/believe-the-hype-for-wardogs-possibly-the-next-great-multiplayer-fps/.
Fonte: PC Gamer.
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2026-08-11 18:21:00








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