Metroid completa 40 anos e celebra o legado do gênero que ajudou a criar

Há exatamente quatro décadas, em 6 de agosto de 1986, a Nintendo lançava no Japão, para o Famicom Disk System, um jogo que mudaria para sempre a forma como enxergamos os jogos de aventura e exploração. Metroid, que na época era apenas mais um bom título de uma empresa que já começava a construir sua reputação no ramo, se tornaria a base de um dos gêneros mais amados e duradouros da indústria: o Metroidvania. A obra apresentou ao mundo a caçadora de recompensas Samus Aran e um planeta hostil chamado Zebes, onde a exploração não-linear e a aquisição progressiva de habilidades criaram uma fórmula que continua viva e relevante até hoje.

A trama original de Metroid é relativamente simples, mas estabeleceu uma mitologia que se expandiria por décadas. Samus Aran, uma caçadora de recompensas espacial, é enviada ao planeta Zebes para recuperar organismos conhecidos como Metroids, que foram roubados por um grupo de Piratas Espaciais. Essas criaturas, que drenam a energia vital de outros seres, nas mãos erradas poderiam se tornar armas biológicas devastadoras, capazes de ameaçar a segurança de toda a galáxia. Para impedir os planos dos piratas, Samus precisa desativar as defesas do planeta, controladas por uma poderosa inteligência artificial chamada Mother Brain. Essa premissa, que parece saída de um filme de ficção científica, serviu de alicerce para diversos outros jogos da franquia, incluindo a aclamada série Metroid Prime, que hoje conta com quatro títulos.

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Mas, apesar da história interessante e do lore que se expandiu ao longo dos anos, o verdadeiro apelo de Metroid sempre esteve em sua jogabilidade. A equipe de desenvolvimento da Nintendo criou um jogo de ação ambientado em um mundo não-linear, que oferecia múltiplos caminhos para o sucesso. Em alguns aspectos, a experiência lembrava uma versão mais acelerada e lateral do estilo sandbox que The Legend of Zelda havia apresentado pouco tempo antes, mas com uma pegada mais focada em combate e exploração. Não havia fases tradicionais, apenas um ambiente hostil e vasto para o jogador percorrer e dominar a caminho do confronto final.

No início, Samus Aran possui pouquíssimas armas e recursos. A tarefa diante dela parece quase impossível, especialmente considerando o padrão da época. Enquanto muitos jogos ainda se limitavam a uma única tela ou a ambientes discretos que não duravam muito, Metroid apresentava um cenário que rolava em todas as direções, cheio de reviravoltas e passagens secretas que o jogador podia encontrar, mas não alcançar — pelo menos não ainda. Essa sensação de descoberta e a promessa de que áreas inacessíveis se tornariam exploráveis com o tempo eram algo completamente novo e cativante.

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Image: NintendoFonte da imagem: Polygon

O loop de gameplay descoberto por Metroid há décadas é simples, mas extremamente eficaz: encontrar a entrada de uma nova área que só pode ser acessada ao retornar com mais poder de fogo ou novas habilidades. Esse ciclo de exploração e recompensa ressoa com os jogadores de uma maneira que desafia qualquer descrição. No início, Samus conta com uma arma fraca, mas logo adquire mísseis e um feixe de gelo que congela inimigos no lugar. Mais importante ainda, ela aprende a se transformar em uma pequena esfera que pode passar por fendas estreitas e encontrar câmaras escondidas. Além disso, ela ganha a capacidade de soltar bombas que explodem ao redor de inimigos desavisados e, com um timing preciso e muita prática, podem até impulsioná-la a alturas antes inalcançáveis.

Os jogadores testavam os limites dessas novas habilidades, sentindo uma emoção genuína ao descobrir rotas alternativas e novas maneiras de interagir com o planeta Zebes. E não podemos esquecer dos speedrunners, que fizeram tudo isso, mas em muito menos tempo. O jogo incentivava essas tentativas, recompensando os jogadores mais rápidos e engenhosos com uma visão do que havia por baixo da armadura de Samus. A revelação de que a protagonista era uma mulher foi um dos maiores choques da época, especialmente porque o manual do jogo se referia a ela usando pronomes masculinos. Em 1986, isso era um verdadeiro twist.

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Image: NintendoFonte da imagem: Polygon

É possível terminar Metroid em menos de 20 minutos, mesmo sem usar glitches, mas essa é uma façanha que poucos conseguem em uma primeira jogatina, especialmente sem a ajuda de um guia. Como Zebes podia ocupar os jogadores por muitas horas, a Nintendo implementou um sistema de senhas que permitia retomar a aventura em um momento posterior. Esse sistema também possibilitava que os jogadores trocassem senhas com amigos, transformando a experiência em algo colaborativo. Uma senha em particular ficou famosa e muitos jogadores a memorizaram: digitar Justin Bailey na primeira linha e uma sequência de traços na segunda. Até hoje, as pessoas falam sobre isso.

O impacto de Metroid na indústria é inegável. O jogo não apenas deu origem a uma franquia de sucesso, mas também inspirou inúmeros imitadores e definiu as bases do que hoje chamamos de Metroidvania, um gênero que combina exploração, progressão de habilidades e um mundo interconectado. Quarenta anos depois, o legado de Samus Aran e de sua luta contra os Piratas Espaciais continua vivo, influenciando gerações de desenvolvedores e conquistando novos fãs a cada dia. A jornada que começou nos corredores escuros de Zebes ainda ecoa nos jogos modernos, provando que algumas ideias são tão boas que nunca saem de moda.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/metroid-40th-anniversary-nintendo/.

Fonte: Polygon.

2026-08-06 10:00:00

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