O governo dos Estados Unidos, sob a administração Trump, voltou a ser alvo de críticas do Japão por usar personagens de animes e games japoneses, como Mario, Pokémon e Naruto, em postagens oficiais nas redes sociais. Desde março, o Ministério das Relações Exteriores do Japão tem feito repetidos apelos para que a Casa Branca interrompa o uso não autorizado dessas propriedades intelectuais (IPs) em memes e vídeos, especialmente em conteúdos de cunho militar e político. A situação escalou a ponto de o governo japonês formalizar pedidos por meio de sua embaixada em Washington, alertando para os riscos de danos à imagem dessas franquias.
A controvérsia ganhou novos contornos em junho, quando o presidente Donald Trump compartilhou em sua conta no Truth Social um vídeo gerado por inteligência artificial que o retratava como Naruto, protagonista do famoso mangá e anime homônimo. A publicação reacendeu a indignação de fãs japoneses e levou a uma nova rodada de discussões no parlamento do Japão. A ministra de Estado, Kimi Onoda, em coletiva de imprensa no dia 12 de junho, reforçou a posição do governo japonês: “obter permissão do detentor dos direitos autorais é o princípio subjacente para o uso justo”. Ela afirmou que essa posição já foi transmitida ao governo dos EUA várias vezes por canais diplomáticos.
O histórico de uso indevido de IPs japoneses por contas oficiais americanas não é recente. Em setembro de 2025, o Departamento de Segurança Interna dos EUA publicou um vídeo que misturava imagens de Ash Ketchum, protagonista de Pokémon, com cenas de operações do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega), ao som do tema da franquia. A publicação gerou uma onda de críticas de fãs, que chegaram a pedir que a Pokémon Company processasse o governo americano. A empresa, no entanto, emitiu uma nota oficial negando ter concedido qualquer autorização para o uso.
Em março deste ano, a conta oficial da Casa Branca no X (antigo Twitter) publicou um vídeo que intercalava cenas do jogo Wii Sports com imagens que aparentavam ser de operações militares dos EUA, incluindo a Operação Epic Fury, que envolveu ataques aéreos no Irã. Pouco depois, outra postagem trouxe um vídeo de apoio à guerra com trechos de filmes e franquias como Halo, Yu-Gi-Oh!, Dragon Ball, Top Gun, Homem de Ferro e Coração Valente, novamente sobrepostos a imagens militares. Essas publicações provocaram reações imediatas de detentores de direitos e personalidades ligadas às obras, como a Pokémon Company, a conta oficial de Yu-Gi-Oh! e o ator Steve Downes, dublador do personagem Master Chief, da série Halo.
O governo japonês, por sua vez, já havia manifestado preocupação em abril, durante uma sessão parlamentar, quando o ministro das Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi, citou diretamente um vídeo de apoio à guerra que utilizava o jogo Wii Sports, da Nintendo. Na ocasião, Motegi afirmou que “é inadequado, mesmo para instituições públicas, reproduzir materiais protegidos por direitos autorais sem o consentimento dos detentores dos direitos”. De acordo com o jornal Mainichi Shimbun, o Ministério das Relações Exteriores do Japão voltou a pedir, em junho, que a administração Trump parasse de usar IPs como Naruto, Pokémon e Mario, por meio da embaixada japonesa nos EUA. O governo japonês solicitou que a administração americana considerasse os potenciais danos a essas propriedades intelectuais quando usadas sem permissão em conteúdos relacionados a políticas e à guerra.
A pressão não vem apenas do governo japonês. Fãs de animes e mangás também se mobilizaram. A fã Nana Suzuki, que se autodenomina entusiasta de mangás e animes, criou uma petição no Change.org intitulada “Proteja o Mangá Japonês”. A iniciativa ganhou repercussão internacional, com cobertura da imprensa como The New York Times e BBC. Segundo a organizadora, a petição foi entregue ao Gabinete do Japão em março, além de ter alertado políticos japoneses sobre o uso não autorizado de IPs japoneses pelo governo americano. Após a publicação do vídeo de Trump como Naruto, a petição foi reaberta, conforme descrito pela organizadora, “como um esforço urgente para transmitir nosso protesto e preocupação sobre esse assunto aos detentores de direitos e para trabalhar em solidariedade para pressionar o governo japonês”.
A estratégia de comunicação do governo Trump, repleta de memes, foi defendida pela porta-voz Abigail Jackson, que, em declarações ao The New York Times e outros veículos, classificou a abordagem como “altamente eficaz”. “Por meio de posts envolventes e memes de sucesso, estamos comunicando com sucesso a agenda extremamente popular do presidente”, disse Jackson. “Há uma razão pela qual tantas pessoas tentam copiar nosso estilo – nossa mensagem ressoa.”
Apesar da defesa oficial, o impasse entre os dois países permanece. O Japão segue insistindo que o uso não autorizado de personagens e franquias em contextos políticos e militares pode causar danos à imagem dessas propriedades intelectuais, que são importantes para a economia e a cultura japonesa. Enquanto isso, a administração Trump não sinalizou mudança de postura, mantendo a estratégia de comunicação que tem gerado controvérsias e críticas tanto no Japão quanto internacionalmente. A expectativa é que o assunto continue rendendo debates e possíveis novas manifestações oficiais, tanto do governo japonês quanto das empresas detentoras dos direitos autorais.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/the-us-governments-mario-pokmon-and-naruto-meme-posting-could-damage-these-franchises-japanese-officials-warn.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-08-06 09:33:00








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