O Reino Unido tomou uma decisão inédita contra a campanha publicitária do filme ‘A Múmia’, dirigido por Lee Cronin. O órgão regulador de publicidade do país, a Advertising Standards Authority (ASA), determinou que os cartazes do longa, exibidos no metrô de Londres e em outdoors por todo o território britânico, são ‘suscetíveis de perturbar crianças pequenas’. A decisão veio após 30 reclamações formais, que apontavam a imagem de uma criança mumificada como excessivamente gráfica.
A polêmica começou em abril, quando a jornalista e apresentadora da BBC Samira Ahmed usou suas redes sociais para criticar a peça publicitária. Em um post no X (antigo Twitter), ela afirmou ter enviado uma reclamação pessoal à ASA, questionando a falta de consideração com o impacto de tais imagens em crianças e, também, em pais enlutados. A publicação de Samira, feita no dia 15 de abril, ajudou a amplificar o caso e a pressionar o órgão regulador.
O cartaz em questão mostrava uma menina de pele acinzentada, com um olho parcialmente fechado, envolta em bandagens antigas, acompanhada do slogan ‘Algumas coisas devem permanecer enterradas’ (em tradução livre). Para muitos reclamantes, a figura parecia representar uma criança morta e mumificada, o que tornava a imagem inadequada para espaços públicos, especialmente em locais de grande circulação como estações de metrô.
Em sua defesa, a Warner Bros., estúdio responsável pela produção, argumentou que a menina retratada no cartaz estava, na verdade, viva — ou, tecnicamente, uma ‘múmia viva’. O estúdio também sustentou que a expressão facial da garota era neutra e que a imagem não continha nenhuma cena de violência explícita. No entanto, a ASA não aceitou os argumentos. Em seu comunicado, o órgão afirmou que, por a figura ter características humanas reconhecíveis, os espectadores provavelmente a interpretariam como uma representação realista de uma criança morta. Com isso, concluiu que os anúncios eram impróprios para exibição em espaços externos, configurando violação do código de publicidade.
Além da proibição da peça, a Warner Bros. também foi considerada culpada por descumprir um compromisso de não colocar o cartaz a menos de 100 metros de escolas. A ASA constatou que o anúncio podia ser visto diretamente de uma creche para crianças pequenas, o que agravou a situação do estúdio.
Apesar da decisão sobre o cartaz, outras reclamações relacionadas à campanha de ‘A Múmia’ não foram acatadas. A ASA analisou queixas sobre um comercial de TV e uma versão online, mas concluiu que essas peças foram programadas para veiculação após as 19h30, horário em que crianças pequenas teriam menos probabilidade de assistir. O órgão também rejeitou argumentos de que a imagem seria desnecessariamente perturbadora para pessoas que perderam filhos ou que estavam preocupadas com a representação da criança em meio a conflitos globais.
Com a decisão da ASA, o cartaz não pode mais ser exibido publicamente em sua forma atual. A autoridade também instruiu a Warner Bros. a garantir que futuras campanhas de marketing que possam causar medo ou angústia a crianças pequenas não sejam veiculadas em locais onde elas possam vê-las.
A proibição ocorre em meio ao lançamento do filme, que recebeu uma nota 7/10 na crítica da IGN. Na avaliação, o longa foi descrito como ‘feio e divertido ao mesmo tempo’, com o crítico destacando que Lee Cronin ‘assume o tipo de mudanças tonais que raramente se vê em um estúdio de Hollywood’. A produção, que mistura terror e humor, tem gerado debates não apenas sobre seu conteúdo, mas também sobre as estratégias de marketing utilizadas para promovê-lo.
O caso levanta questões importantes sobre os limites da publicidade em espaços públicos e a responsabilidade dos estúdios em considerar o impacto de suas campanhas em audiências vulneráveis. A decisão da ASA serve como um precedente para futuras ações regulatórias no Reino Unido, especialmente em um momento em que a indústria do entretenimento busca formas cada vez mais ousadas de chamar a atenção do público.
Enquanto isso, a Warner Bros. terá que se adaptar às novas regras e repensar suas estratégias de divulgação para ‘A Múmia’, que já está em cartaz nos cinemas. A proibição do cartaz, no entanto, não afeta a exibição do filme em si, apenas a forma como ele é promovido em espaços públicos no Reino Unido.
A polêmica também reacendeu o debate sobre a exposição de crianças a conteúdos potencialmente perturbadores em locais públicos, um tema que tem ganhado força nos últimos anos. A ação da ASA, neste caso, demonstra que os órgãos reguladores estão atentos a essas preocupações e dispostos a agir quando consideram que os limites foram ultrapassados.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/lee-cronins-the-mummy-movie-poster-banned-in-uk-for-depicting-realistic-impression-of-a-dead-child.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-08-05 15:33:00








Deixe um comentário