Vídeo musical de Stellar Blade: Blood Rain gerado por IA gera polêmica e preocupa fãs

A Shift Up, desenvolvedora de Stellar Blade, lançou recentemente um vídeo musical para promover a sequência, Stellar Blade: Blood Rain, que chega ainda este ano. A produção, no entanto, gerou forte repercussão negativa, sendo alvo de duras críticas por parte da imprensa especializada e da comunidade de jogadores. O motivo? O vídeo e a música foram inteiramente gerados por inteligência artificial, resultando em uma peça que muitos consideram de baixíssima qualidade e que levanta preocupações sobre o futuro da arte nos videogames.

A jornalista Mollie Taylor, do site PC Gamer, foi uma das vozes mais contundentes contra a iniciativa. Em sua coluna Critical Hit, ela descreveu o vídeo como um dos piores que já viu vindo de uma empresa com recursos financeiros para fazer algo muito melhor. A crítica não poupa detalhes: a personagem Evie aparece com um traje de lycra que apresenta um umbigo e unhas, além de partes da roupa que somem e aparecem de forma inconsistente, enquanto ela sorri para a câmera de um jeito que a jornalista classificou como profundamente perturbador.

A música, também gerada por IA, não fica atrás em termos de problemas. Segundo a análise, os vocais de Evie são compostos por bipes computadorizados e estridentes, que tentam imitar notas altas no refrão, mas acabam se transformando em uma cacofonia de palavras robóticas. A composição musical, por sua vez, parece não compreender os fundamentos básicos do que torna uma melodia agradável, resultando em uma faixa que a autora define como desprovida de alma e completamente desconectada do universo de Stellar Blade: Blood Rain.

Critical
Image credit: Future)Fonte da imagem: PcgamerWelcome to Critical Hit, where I (or someone else on the PC Gamer team) celebrate and lament all things videogame music, audio design, and the ways our favourite games make our ears tingle.

A crítica vai além, afirmando que o vídeo mina ativamente o jogo, seu tema e sua identidade visual, substituindo-os por algo que parece e soa mal, desacreditando qualquer boa vontade que a Shift Up pudesse ter conquistado. A jornalista expressa sua frustração, especialmente porque a empresa tem um histórico de produção musical de qualidade, como demonstrado em Nikke: Goddess of Victory, seu jogo gacha de grande sucesso, que figura consistentemente entre os 10 e 20 maiores geradores de receita do gênero, ao lado de gigantes como a Hoyoverse.

Mollie Taylor relembra que a Shift Up não é uma empresa sem recursos, muito pelo contrário. A receita de Nikke proporciona à companhia uma situação financeira confortável, o que torna a decisão de usar IA para a trilha sonora ainda mais incompreensível. Ela destaca que Nikke conta com um compositor especializado em jogos de ritmo, responsável por grande parte da discografia do jogo, o que evidencia o potencial da empresa para criar músicas memoráveis. A pergunta que fica é: por que optar por uma das piores músicas geradas por IA já ouvidas?

A autora também revela que estava ansiosa para ver como a Shift Up expandiria o universo de Stellar Blade, especialmente porque considerou a narrativa do primeiro jogo surpreendentemente subdesenvolvida, apesar da habilidade da empresa em contar histórias em Nikke. No entanto, o vídeo musical a desanimou completamente, fazendo-a repensar se vale a pena conferir Blood Rain.

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aphy. I cannot understand why anyone would think that some of the worst AI-generated music I’ve heard in a hot sec is the better option. Crédito da imagem: ShiftUp)Fonte da imagem: PcgamerIt can do better

A preocupação, no entanto, vai além do caso específico. A jornalista alerta que a normalização desse tipo de comportamento por grandes empresas pode abrir precedentes perigosos, incentivando outras a seguir o mesmo caminho. Isso poderia levar a uma enxurrada de conteúdo gerado por IA, não apenas em vídeos musicais, mas também dentro dos próprios jogos, com a mesma cobrança de preços cheios, mas sem a participação humana na criação.

O temor é que esse efeito dominó resulte em uma indústria repleta de jogos genéricos e sem alma, que representam o oposto do que torna o hobby tão especial. Para Mollie Taylor, os videogames são uma forma de arte, e a arte precisa do toque humano. É por isso que ela defende que esse tipo de conteúdo seja duramente criticado no momento em que aparece, para que empresas como a Shift Up entendam que os consumidores não aceitam esse tipo de prática.

A matéria conclui que a reação negativa ao vídeo é um sinal importante para a indústria, mostrando que há uma linha que não deve ser cruzada. A esperança é que a Shift Up reconsidere suas estratégias de marketing e volte a valorizar o trabalho humano, que sempre foi fundamental para criar experiências memoráveis nos jogos.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/games/action/stellar-blade-blood-rains-ai-slop-music-video-is-terrible-for-us-all/.

Fonte: PC Gamer.

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2026-08-02 17:00:00

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