Hulk em Homem-Aranha: Novos Dias reacende problema de continuidade no MCU

A estreia de ‘Homem-Aranha: Novos Dias’ nos cinemas trouxe de volta um velho problema para os fãs do Universo Cinematográfico Marvel (MCU): a inconsistência na trajetória do Hulk. No novo filme, que chega como o quarto longa solo de Tom Holland como Peter Parker, Bruce Banner (Mark Ruffalo) aparece em um papel de apoio, mas sua participação levanta questões sobre a continuidade do personagem, algo que já se tornou uma tradição no MCU.

No longa, Banner é apresentado como professor de física na Universidade Empire State, e Peter assiste a uma de suas aulas para conversar sobre o inibidor de gama, um dispositivo que Bruce usa no pulso para evitar se transformar no Hulk em momentos inoportunos. O aparelho, que apareceu pela primeira vez na cena pós-créditos de ‘Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis’, também foi destaque em ‘She-Hulk: Defensora de Heróis’, onde o inibidor de Bruce foi danificado durante o incidente que deu à sua prima Jennifer Walters os poderes gama, fazendo-o voltar à forma de Professor Hulk vista em ‘Vingadores: Ultimato’.

O problema surge quando o inibidor é danificado novamente em ‘Novos Dias’. Desta vez, Banner se transforma no Hulk Selvagem, a versão mais primitiva e agressiva do personagem, que não era vista desde a surra que Thanos aplicou no Hulk no início de ‘Vingadores: Guerra Infinita’. A cena de ação é empolgante e o visual do Hulk é o melhor desde o primeiro ‘Os Vingadores’, mas a razão para a transformação não é explicada. Afinal, Banner não teria ‘purificado’ o Hulk Selvagem entre os filmes, como ele mesmo afirmou aos Vingadores em ‘Ultimato’? O dano ao inibidor poderia ser uma justificativa, mas isso não aconteceu quando o aparelho foi danificado em ‘She-Hulk’. O que torna essa situação especial?

Uma possível explicação seria a influência de Jean Grey (Sadie Sink), que no filme usa seus poderes psíquicos para manipular Bruce. No entanto, quando o Homem-Aranha chega ao local, Banner ainda está na forma de Professor Hulk, falando normalmente e vestindo um suéter azul elegante. O filme simplesmente não explica o que leva Bruce a se transformar no Hulk Selvagem, provavelmente porque os cineastas consideram que o Hulk não é o foco de um filme do Homem-Aranha e que a cena de ação justifica ignorar as conveniências narrativas.

Essa não é a primeira vez que o Hulk enfrenta problemas de continuidade no MCU. Desde que Mark Ruffalo assumiu o papel, substituindo Edward Norton, que interpretou Bruce Banner em ‘O Incrível Hulk’ (2008), a evolução do personagem tem sido errática. A Universal Pictures detém os direitos de distribuição de filmes solo do Hulk, e por razões nunca totalmente esclarecidas, recusou parcerias com a Marvel Studios para novos longas do personagem, algo que o próprio Ruffalo já comentou em entrevistas.

A linha do tempo do Hulk no MCU é repleta de saltos e contradições. Em ‘Vingadores: Era de Ultron’, uma subtrama romântica com a Viúva Negra surge do nada, ignorando a existência de Betty Ross (Liv Tyler). Em ‘Thor: Ragnarok’, Hulk aparece em Sakaar, sem explicação de como saiu de uma Quinjet em Sokovia para o espaço. Em ‘Guerra Infinita’, o Hulk se recusa a lutar após a derrota para Thanos, mas o motivo nunca é explorado. E entre ‘Guerra Infinita’ e ‘Ultimato’, Banner se funde com o Hulk para se tornar o Professor Hulk, uma mudança que acontece totalmente fora das telas.

A confusão aumenta na Saga do Multiverso. Se Banner estava confortável como Professor Hulk, por que ele precisava do inibidor para voltar a ser humano? Ele justifica dizendo que é para curar o braço danificado pelo uso da Manopla do Infinito, mas continua usando o dispositivo mesmo depois de curado. Além disso, há a questão de Skaar, o filho de Hulk introduzido na cena pós-créditos de ‘She-Hulk’. Skaar ainda está na Terra durante os eventos de ‘Novos Dias’? Banner não menciona o filho, e a idade do personagem é outra incógnita.

Muitos desses problemas poderiam ter sido evitados se a Universal tivesse permitido que a Marvel produzisse outro filme solo do Hulk. A trajetória de Bruce Banner é um desastre justamente porque ele sempre aparece como coadjuvante em filmes de outros personagens ou nos filmes dos Vingadores. A Marvel poderia ter feito um trabalho melhor em manter a consistência, mas a situação dos direitos impede que o Hulk seja o foco de um projeto próprio.

O Hulk é um protagonista que está sempre em papel de apoio, o que prejudica não apenas Bruce Banner, mas também outros personagens de sua franquia. Betty Ross desapareceu, Rick Jones nunca apareceu, e o Líder, arqui-inimigo do Hulk nos quadrinhos, interpretado por Tim Blake Nelson, foi apresentado no final de ‘O Incrível Hulk’ e só retornou mais de uma década depois, em um filme do Capitão América.

A recusa da Universal em colaborar com a Marvel é ainda mais estranha quando se vê o sucesso da parceria entre Sony e Marvel com o Homem-Aranha. Após o fracasso de ‘O Espetacular Homem-Aranha 2’, a Sony permitiu que a Marvel integrasse o herói ao MCU, o que reviveu a franquia nas bilheterias. Por que a Universal não segue o mesmo caminho? Se tivessem feito um acordo, poderíamos ter visto o Hulk enfrentando o Líder, um desenvolvimento mais consistente para Bruce e menos decisões questionáveis da Marvel.

Enquanto isso, os fãs terão que se contentar com o retorno do Hulk Selvagem em ‘Novos Dias’. Talvez na próxima aparição, o personagem surja como Joe Fixit, uma de suas personalidades alternativas dos quadrinhos. A esperança é que, um dia, Mark Ruffalo tenha a chance de liderar um filme solo do Hulk, mas por enquanto, a bola está com a Universal.

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/what-the-heck-is-marvel-doing-with-the-hulk-anyway-spider-man-brand-new-day.

Fonte: IGN.

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2026-08-02 13:00:00

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