A Framework acaba de apresentar o 13 Pro, sua máquina mais ambiciosa até hoje, e a primeira impressão é de que a empresa finalmente entregou um notebook premium sem abrir mão da filosofia de reparabilidade e atualização que a tornou querida entre entusiastas. O modelo chega com o processador Intel Core Ultra Série 3 baseado em Panther Lake, gabinete usinado em alumínio CNC, touchscreen de 120 Hz e um trackpad háptico pensado especialmente para quem migra do ecossistema Apple.

O CEO da Framework, Nirav Patel, conversou com a imprensa durante a Computex e revelou que o apelido informal de “MacBook Pro para usuários de Linux” não é apenas marketing. Segundo ele, a empresa ouviu de muitos desenvolvedores de software que estão frustrados com o macOS e querem migrar para Linux sem abrir mão da sensação premium de um hardware bem construído. “É o sistema operacional preferido deles, mas eles não querem perder a experiência de uso”, explicou Patel.

E a experiência realmente impressiona. O chassi de alumínio escuro anodizado é rígido o suficiente para ser levantado por uma das pontas sem qualquer flexão. O teclado ganhou maior curso nas teclas, e o trackpad háptico permite cliques em qualquer ponto da superfície — um recurso que Patel considera essencial para tornar a transição de MacBooks mais suave. A Framework manteve a compatibilidade com todos os notebooks Framework 13 lançados nos últimos cinco anos: é possível, por exemplo, comprar apenas o novo chassi e transferir os componentes antigos para dentro dele.

Por dentro, o grande destaque é o processador Core Ultra X7 358H, com 4 núcleos de performance, 8 de eficiência e 4 de baixo consumo, totalizando 16 threads e clock de até 4,8 GHz. A iGPU Arc B390 é a mesma encontrada no MSI Claw 8 EX AI+ e confere ao laptop capacidade de rodar jogos com qualidade surpreendente para um integrado. A memória RAM é do tipo LPCAMM2, um módulo substituível que permite upgrades futuros sem solda, mas que encarece o produto — o modelo avaliado com 32 GB custa US$ 2.899 (cerca de R$ 16.000 em conversão direta).
O preço elevado é apontado como o principal ponto negativo, junto com a tela. O painel touchscreen de 13,5 polegadas tem resolução 2880 x 1920, taxa de 120 Hz e brilho de até 700 nits, mas não é OLED e apresenta um leve fantasma (ghosting) em movimentos rápidos. Patel admite que não é um display para jogos competitivos, e a falta de uma opção OLED é sentida em um laptop que custa o mesmo que um MacBook Pro.

A bateria de 74,5 Wh — maior que os 61 Wh dos modelos anteriores — garante autonomia de dia inteiro. Em testes com Fedora, o laptop consumiu metade da carga em seis horas de uso contínuo com música, downloads, reuniões e edição de texto. No Windows, o modo Endurance dos drivers Arc permite estender o tempo de jogo para cerca de duas horas e meia, contra pouco mais de duas horas no modo balanceado. O carregador GaN de 100 W acompanha o pacote.
O resfriamento foi redesenhado e, graças à eficiência do Panther Lake, o notebook opera silenciosamente na maior parte do tempo. Mesmo sob carga de jogos, o ruído do ventilador é descrito como leve. A única ausência sentida é um software de controle do sistema — não há ajuste fino de TDP ou perfil de ventoinha, algo que o próprio Patel reconhece como uma limitação para entusiastas.

As pré-vendas já mostram uma tendência curiosa: as versões com Linux pré-instalado estão vendendo mais que as configurações com Windows. “É uma loucura ver isso”, comentou Patel. O laptop será lançado ainda neste mês, e a Framework promete manter o estoque de peças avulsas em seu marketplace, permitindo que qualquer usuário monte a máquina dos sonhos peça por peça.
Para quem busca um notebook que alie estética refinada, desempenho sólido e a possibilidade de trocar processador, memória, tela e até o chassi no futuro, o Framework 13 Pro é uma proposta quase irresistível — desde que o bolso esteja preparado para o custo da memória LPCAMM2 e a tela não seja a prioridade máxima.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/hardware/gaming-laptops/i-got-my-hands-on-frameworks-macbook-pro-for-linux-users-and-its-tagline-isnt-just-marketing-hyperbole/.
Fonte: PC Gamer.
PCGamer latest.
2026-07-27 16:25:00








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