O sétimo episódio de Cape Fear, intitulado “Mongrel”, finalmente define o tom da série da Apple TV+: um melodrama operístico e desbocado que não tem medo de exagerar. Após semanas de suspense arrastado, a produção abraça de vez sua veia mais escandalosa e acelera em direção ao desfecho.
A trama retoma exatamente do ponto em que o episódio anterior parou: Neveah é descoberta vivendo dentro das paredes da casa dos Bowden. Anna saca uma arma do cofre da família e a mantém sob a mira enquanto Tom corre para a casa ao lado em busca de Zack. Lá, Zack age de forma estranhamente afetuosa com Max, que devolve o carinho e declara que o garoto não é mais filho de Tom, mas “meu filho agora”. Tom não reage bem: parte para cima de Max e o espanca no meio da rua, até que Zack apunhala o próprio pai no ombro, na chegada da polícia.

Na manhã seguinte, Neveah é presa e Zack é internado em uma clínica psiquiátrica. Max recusa-se a prestar queixa contra Tom, mas Noa, chefe de Anna, finalmente admite que Max é perigoso e precisa ser detido. Enquanto isso, o colega de Anna, Ray — que não é detetive nem policial —, rastreia as placas do carro da perseguidora de Max até uma mulher chamada Val, na Carolina do Norte, e se oferece para dirigir até lá.
Tom e Anna visitam Zack no hospital psiquiátrico, onde um médico informa que o garoto foi dopado com uma megadosse de um remédio contra enjoo de movimento — encontrado no esconderijo de Neveah na casa dos Bowden — que pode causar lavagem cerebral e “psicose permanente”. Isso explicaria por que Zack passou a considerar Max seu pai.
Natalie, a filha dos Bowden, vai se abrigar na casa do pai biológico, mas volta imediatamente quando ele revela não ter certeza se ela é realmente sua filha. Natalie confronta Anna, que nega de forma pouco convincente. Max então aparece na casa dos Bowden para devolver o gato Peanut Butter e garante a Natalie que não tem relação com Neveah nem com seus atos psicóticos. Depois que ele sai, Natalie pega uma arma do cofre — agora conhecido como “cofre de Tchecov” — e, ao sair, vê Max injetando um líquido misterioso em um pêssego, quase certamente o mesmo remédio usado em Zack. Mesmo assim, ela atravessa a rua e insiste em acompanhá-lo em uma viagem de carro.

Durante a viagem, Max conta a Natalie que Paul, seu pai biológico, foi infiel à mãe dela na época do julgamento de Max e que ele e Anna ficaram “muito próximos”. Mais tarde, Max revela que estão indo para sua casa de infância na Carolina do Norte, onde seu pai o colocava em uma gaiola por não falar inglês. Max sofre uma convulsão ao volante, e Natalie assume a direção.
Enquanto isso, Ray encontra Val, que diz ter vendido o carro para uma mulher chamada Crystal Cady — irmã de Max. A perseguidora de Max é, portanto, sua própria irmã, e a coleira de cachorro que ela deu a ele no episódio 3 ganha novo sentido diante da revelação do pai que o tratava como um animal. Os problemas de Max parecem ser, em grande parte, familiares.
De volta a Savannah, Tom e Anna planejam incriminar Neveah plantando frascos do remédio com as digitais dela na casa de Max. Para isso, recrutam Brandon, o pai afastado de Anna, que aceita ajudar com a condição de ver os netos.

Na Carolina do Norte, Natalie e Max chegam à casa da infância dele. Natalie encontra vários cães enjaulados e um menino assustador que tenta beijá-la. Max confronta o pai — interpretado por Ron Perlman, ainda mais ameaçador que o Max Cady de Javier Bardem —, que o humilha e o trata como um cão. Ray localiza a residência de Crystal: uma casa-barco no rio Cape Fear, uma referência direta ao filme de 1991, no qual o Max Cady de Robert De Niro se afoga preso a uma casa-barco que afunda. Ray vasculha o barco, mas não encontra Crystal. Então Max aparece com Natalie dopada pelo pêssego envenenado e, ao ver Ray, dispara três tiros no estômago dele e joga o corpo no porta-malas.
Natalie acorda e tem uma conversa séria com Max, deduzindo que ele pode ser seu verdadeiro pai. Ela se submerge no rio, e Max a levanta, numa espécie de batismo para uma nova vida. Depois, ele a leva de volta para Savannah, dá a ela um fio de barba para que possa provar a paternidade e garante que a arma do crime — que Natalie roubou dos pais — volte para as mãos dela. O episódio termina com Tom e Anna ligando para uma linha anônima para denunciar as drogas plantadas na casa de Max.
“Mongrel” é uma hora densa e sombria de televisão, que responde a várias perguntas e levanta outras tantas. A série parece ter encontrado seu ritmo como um thriller exagerado e acampado, mergulhando no drama mais intenso a cada cena. Conforme se aproxima do final, Javier Bardem tira camadas de fingimento e mostra um Max Cady determinado a tomar tudo o que os Bowden amam, incluindo os filhos. O episódio prova que Cape Fear funciona melhor quando não tenta ser complexa ou refinada, mas sim perturbadora, melodramática e um tanto insana — uma novela vívida e eletrizante que promete não aliviar até os créditos finais.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/cape-fear-episode-7-recap-and-review-mongrel.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-07-10 07:00:00








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