Blizzard quer expandir o som de Diablo para além do violão icônico de Tristram

A música de Diablo é instantaneamente reconhecível por um som: o violão de cordas de aço, com reverberação pesada, dedilhando acordes lentos e arpejos sobre um fundo sombrio. Essa identidade sonora, nascida em 1997 com a faixa ‘Tristram’, do compositor Matt Uelmen, tornou-se tão marcante que define o tom da série — melancólica, pessoal, ao mesmo tempo antiga e moderna, enraizada em um folclore vago e misterioso, distante da grandiosidade de Warcraft ou The Elder Scrolls. Mas, para a equipe de música da Blizzard, esse som tão poderoso pode ser uma faca de dois gumes.

Diablo
Fonte da imagem: Polygon

Em entrevista recente durante um concerto temático de Diablo em Londres, os compositores da Blizzard falaram sobre o desafio de honrar o legado de ‘Tristram’ sem cair na repetição. Ted Reedy, compositor principal de Diablo 4, explicou que a faixa é tão forte que sempre fará parte da definição da série, mas que é preciso ter cuidado para não usá-la de forma exagerada. É algo que queremos sempre ter em mente e referenciar, embora não queiramos fazer isso o tempo todo e ser muito óbvios, disse Reedy.

A
Image: Blizzard EntertainmentFonte da imagem: Polygon

Leo Kaliski, compositor principal de World of Warcraft que também trabalhou na trilha de Diablo 4, admitiu que no início do desenvolvimento do jogo caiu na armadilha de tentar escrever sua própria versão de ‘Tristram’. Nenhuma dessas peças acabou no jogo porque não era eu, revelou Kaliski. Para ele, a chave foi encontrar sua própria versão do experimentalismo que marcou as primeiras trilhas de Diablo.

Derek Duke, diretor musical da Blizzard, prefere não definir a música de Diablo por um som específico, muito menos pelo violão. Para ele, o essencial é a imersão na narrativa, qualidades góticas e escuridão. Duke destaca o que chama de ambiguidade emocional: a capacidade de a música assumir as qualidades das experiências do ouvinte enquanto pontua a história emocionalmente. Ele também ressalta a importância da ambientalidade das trilhas de Uelmen, que na época se diferenciavam dos scores de jogos como Street Fighter ao focar mais na imersão do que na melodia.

A
Image: Blizzard EntertainmentFonte da imagem: Polygon

Essa abordagem experimental continua em Diablo 4. Kaliski mencionou o uso do coro drone Nyx, cujas texturas vocais etéreas e perturbadoras sustentam o som bruxesco da região de Hawezar. Para Scosglen, ele fez uma sessão de gaita de foles e a distorceu em um amplificador para evocar um som escocês sem perder a sensação de Diablo. Procuramos isso em todas as zonas que pudemos, disse Kaliski.

The
Image: Blizzard EntertainmentFonte da imagem: Polygon

Para a expansão Diablo 4: Lord of Hatred, Reedy começou a compor assim que recebeu da equipe de narrativa um mergulho na história de Skovos, a ilha onde se passa a expansão, e de suas duas rainhas. Ele e Duke tiveram a ideia de usar duas vocalistas femininas únicas para representar a Rainha Oráculo e a Rainha Amazona. Após uma busca online exaustiva, encontraram Úyanga Bold e Asja Kadrić. Essas duas vozes foram tão únicas e definitivas para o mundo, e uma inspiração tão grande para construir toda a trilha sonora em torno delas, contou Reedy. A primeira peça que compôs foi o tema ‘Firstborn’, que se tornou a primeira faixa da trilha e a música do menu principal.

A pergunta que fica é se essas novas vozes — ou o coro Nyx, ou as gaitas de foles distorcidas — um dia serão tão icônicas quanto o violão de Uelmen. Provavelmente não, mas a equipe da Blizzard acredita que pode construir novas paisagens sonoras ao redor delas, mantendo o espírito experimental que sempre definiu a série. E, se precisar, o violão ainda está lá, pronto para ser usado com moderação.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/diablo-music-guitar-score-composers/.

Fonte: Polygon.

2026-07-03 19:00:00

No comments

Deixe um comentário

Top Novidades!

19369