Donkey Kong, o gorila que salvou a Nintendo e fundou o império de Mario

Hoje, Mario e seus companheiros estampam desde camisetas a lanches de fruta, mas nem sempre foi assim. Durante a maior parte de sua história, a Nintendo teve uma presença modesta no mercado global. O verdadeiro estouro só veio em 1981, quando um funcionário relativamente novo, Shigeru Miyamoto, criou a versão original de fliperama de Donkey Kong. Sem aquele gorila e suas plataformas, é difícil imaginar o que seria da empresa hoje.

Donkey
Fonte da imagem: Polygon

Fundada em 1889 como fabricante de cartas de baralho hanafuda no Japão, a Nintendo passou por vários negócios ao longo das décadas, sempre se mantendo à tona, mas sem grande destaque. O sucesso de verdade só chegou com Donkey Kong. O jogo se tornou um hit incontestável e levou a Nintendo a criar seu próprio console, o Family Computer (Famicom), para levar a diversão para casa. Nos Estados Unidos, o Nintendo Entertainment System (NES) chegou em 1985, bem a tempo de resgatar a indústria dos videogames, que estava em crise.

Visto 45 anos depois, Donkey Kong parece simples demais para ter gerado tamanho impacto. A jogabilidade é uma versão interativa de King Kong: um gorila enorme sequestra uma mulher vestida de vestido (hoje conhecida como Pauline) e a leva para o ponto mais alto do cenário. Então, ele atira materiais de construção contra quem ousa tentar o resgate. O herói é Jumpman, um carpinteiro que lembra o Popeye, mas com bigode e sem espinafre.

Mario
Image: Nintendo via PolygonFonte da imagem: Polygon

O arcade original tinha quatro fases distintas. A primeira, a mais memorável, apresentava vigas inclinadas com escadas (algumas quebradas) e martelos como power-ups. Quem gastasse algumas moedas talvez nunca passasse dali. A segunda fase era uma fábrica de cimento com esteiras rolantes; a terceira, uma sequência em que Mario andava em plataformas móveis e desviava de molas; a quarta e última tinha rebites que sustentavam Donkey Kong e seus aliados fantasmas. Quando Mario removia todos os rebites, o gorila despencava e a mulher era salva.

Se Donkey Kong parece limitado e genérico para os padrões atuais, é porque ele estabeleceu a maioria desses padrões. Foi o primeiro jogo de plataforma da história. E apresentou o personagem que evoluiria para Mario, um mascote tão famoso que hoje rivaliza com o Mickey Mouse. Antes de Bowser, o grande vilão era Donkey Kong.

Donkey
Image: NintendoFonte da imagem: Polygon

Quando a Nintendo levou o jogo para consoles caseiros, as limitações de hardware forçaram cortes: a segunda fase do arcade e algumas cenas animadas foram removidas. A versão para NES foi precedida por uma edição da Coleco, que cortou ainda mais, e por uma versão para computadores de 8 bits da Atari. Isso significava que a melhor forma de jogar Donkey Kong ainda era encontrar um gabinete de fliperama.

Só em 2018, quando a Nintendo e a Hamster lançaram Arcade Archives: Donkey Kong para Switch, os jogadores puderam ter uma versão mais completa do clássico. A essa altura, a indústria e a própria Nintendo já tinham mudado imensamente. Até quem jogou Donkey Kong quando ele era novo pode ter esquecido o tamanho de seu legado.

Universal
Fonte da imagem: Polygon

O jogo não só criou o gênero plataforma, que a Nintendo dominaria por décadas, como também apresentou Mario antes mesmo da existência do Reino dos Cogumelos. Ele convenceu consumidores a comprar consoles como o NES e ainda levou ao desenvolvimento do inovador direcional digital (D-pad), quando a Nintendo adaptou seu título principal para os dispositivos Game & Watch.

Sem o sucesso monstruoso de Donkey Kong, é difícil imaginar como seria a Nintendo hoje. Devemos muito àquele gorila.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/nintendo-donkey-kong-1981-retrospective/.

Fonte: Polygon.

2026-07-02 17:00:00

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