Após um período turbulento marcado por demissões, instabilidade em CPUs e perda de espaço para concorrentes como AMD, Apple e Qualcomm, a Intel parece ter encontrado um fôlego inesperado no mercado de portáteis gamer. O processador Panther Lake, fabricado no aguardado processo 18A, impressionou em testes iniciais, e sua versão para handhelds — o Arc G3 Extreme — pode recolocar a empresa na liderança do segmento.

Na última segunda-feira, o jornalista Sean Hollister, do The Verge, passou duas horas com o MSI Claw 8 EX AI Plus equipado com o novo chip. A conclusão foi direta: os portáteis de próxima geração finalmente chegaram. O salto em desempenho e autonomia de bateria, tão esperado pelos entusiastas, agora é realidade — mas o preço é alto.

De acordo com a Intel, o Arc G3 Extreme entrega performance similar à do chip topo de linha da AMD consumindo metade da energia. Enquanto o AMD Z2 Extreme precisa de 35 watts para rodar determinados jogos, o chip da Intel faz o mesmo com apenas 17 watts. Em testes comparativos, a Intel afirma que, na mesma faixa de 35 watts, o novo processador é em média 42% mais rápido, tornando títulos como Battlefield 6, Baldur’s Gate 3, Cyberpunk 2077, Red Dead Redemption 2, Returnal e Forza Horizon 6 jogáveis a 1080p e 60 fps (com upscaling 2x a partir de 960×540).

A eficiência energética é tão impressionante que, segundo a Intel, é possível jogar a 1080p em configurações baixas consumindo apenas 12 watts — superando com folga o chip da AMD nesse quesito. Em jogos menos exigentes, o consumo pode cair para meros 4 watts, proporcionando quase 12 horas de autonomia com uma carga.

O Steam Deck, lançado em 2022, estabeleceu um padrão difícil de bater com sua combinação de preço e eficiência. Em 2023, o modelo OLED já permitia jogar títulos AAA modernos em configurações baixas por cerca de duas horas, e jogos mais leves por até oito horas. Os concorrentes com Windows, por sua vez, conseguiam rodar jogos com mais fluidez ou em configurações mais altas, mas consumiam muito mais energia — uma realidade que se manteve em praticamente todos os portáteis lançados desde então, independentemente do processador AMD utilizado.

Para contornar as limitações dos chips mais vorazes, as fabricantes buscaram soluções alternativas. O Asus ROG Ally X, por exemplo, dobrou a capacidade da bateria para 80 watt-hora, estendendo a jogatina para cerca de três horas em títulos medianos e até nove horas nos mais leves. Já o Xbox Ally apostou em um design com alças no estilo de controles tradicionais para melhorar a ergonomia.

O MSI Claw 8 EX AI Plus, no entanto, parece reunir tudo o que se espera de um portátil moderno: bateria de 80 watt-hora, design com alças, alto desempenho, eficiência energética, joysticks com efeito Hall (resistentes ao drift), tela de 8 polegadas com taxa de atualização de 120 Hz e VRR, e uma jogabilidade notavelmente suave.

Durante a demonstração, Hollister pôde testar Forza Horizon 6 — jogo que ele já havia experimentado no Xbox Ally X, no Steam Deck e no modelo anterior do Claw (com chip Lunar Lake). No Claw antigo, com resolução nativa de 1920 x 1200 e configurações médias, a taxa de quadros ficava entre 40 e 45 fps. No Xbox Ally X, com resolução nativa menor (1080p), ele alcançou cerca de 50 fps. Já no Steam Deck, o jogo se tornava uma apresentação irregular e praticamente injogável mesmo nas configurações mais baixas.

Com o novo MSI Claw equipado com Arc G3 Extreme, o mesmo Forza Horizon 6 rodou entre 60 e 74 fps a 1200p, sem o uso de quadros falsos (frame generation) da Intel. O consumo total do sistema, segundo o overlay do MSI, foi de apenas 43 watts — o que, com a bateria de 80 watt-hora, resulta em cerca de 1,8 hora de autonomia no modo mais potente. Para efeito de comparação, o Xbox Ally X consome cerca de 50 watts no modo turbo de 35W, oferecendo aproximadamente 1,6 hora no mesmo nível de desempenho máximo.

Mas nem tudo são flores. O preço é um ponto delicado. O MSI Claw 8 EX AI Plus foi listado na Best Buy por US$ 1.699,99 — valor superior aos US$ 1.500 que a própria empresa havia mencionado anteriormente como meta. Hollister reflete que, embora o salto de desempenho seja real, o custo pode ser proibitivo. É dinheiro demais, ponto final. Jogar não deveria ser um luxo tão grande, escreveu. Em comparação com o Xbox Ally X, de US$ 1.000, o novo Claw representa um aumento de 70% no preço para uma média de 42% mais desempenho — uma relação que pode não agradar a todos.

Apesar do preço salgado, o lançamento está previsto para 23 de junho. E, com esse avanço, Hollister aposta que seu próximo portátil pode muito bem vir com um chip da Intel — quando a atual crise de preços de memória RAM finalmente passar. A informação sobre o valor foi revelada por uma listagem da Best Buy em 2 de junho, e ainda não foi confirmada oficialmente pela MSI ou Intel.
Leia mais aqui em inglês: https://www.tweaktown.com/news/110018/intel-arc-b770-aka-big-battlemage-has-reportedly-been-canceled-due-to-ai/index.html.
Fonte: tweaktown.com.
Gaming | The Verge.
2026-06-02 19:56:00








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