Em 007 First Light, a maior arma de James Bond é a lábia – e o jogo sabe disso

Em 007 First Light, James Bond não depende de dispositivos sofisticados ou disfarces elaborados para se infiltrar em áreas restritas. A grande novidade do jogo da IO Interactive é uma habilidade chamada de ‘blefe’: com um único botão, Bond inventa uma história absurda na hora e, por 30 segundos, engana qualquer inimigo que esteja por perto, permitindo que o jogador caminhe livremente até o objetivo ou elimine alvos sob a confusão generalizada.

A habilidade pode ser ignorada durante toda a campanha, mas o jogo foi claramente projetado para que o jogador a use com frequência. Mais do que um truque bobo, o blefe define o tom bem-humorado de First Light. Este não é o Bond veterano e manipulador dos filmes mais recentes, mas um agente mais jovem, arrogante, que sabe que pode dizer praticamente qualquer coisa – por mais absurda que seja – desde que fale com confiança e um sorriso no rosto. É possível sentir que os roteiristas se divertiram: em um momento, Bond diz, com sotaque inglês afetado e fingindo confusão, ‘Espera aí, este não é o meu apartamento’ para um grupo de capangas fortemente armados que patrulham construções improvisadas de madeira em uma cidade cenográfica no deserto.

O blefe também tem uma função mecânica importante. Ele consome pontos de instinto – recurso que o jogador carrega e que precisa ser gerenciado. Como cada blefe gasta três pontos e o máximo que se pode carregar é seis, é comum ficar sem instinto no meio da missão. A forma mais eficiente de recarregar o medidor é sendo agressivo: cada eliminação silenciosa (como um golpe no pescoço) rende um ponto. Usar gadgets também recarrega, mas faz barulho e consome outros recursos. Já os itens de coleta espalhados pelos cenários são uma opção mais entediante.

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apartment, he says with what is clearly mock confusion in his plum English accent, to a group of heavily armed thugs patrolling ramshackle plasterboard buildings in a makeshift desert city. Fonte da imagem: IGN

Esse ciclo cria um ritmo de vai-e-vem nas missões. O jogador entra em uma área furtiva com o instinto cheio, blefa para passar pelo primeiro grupo de inimigos, depois parte para o silêncio no cômodo seguinte. Se for descoberto, ainda tem instinto para tentar um blefe de emergência. O ideal, porém, é se mover entre coberturas, puxar inimigos para as sombras um a um, usar objetos como aspiradores de pó ou aparelhos de ar-condicionado sabotados para atrair guardas e acertá-los no queixo quando eles vêm investigar. É nesses momentos que First Light mais lembra Hitman. Quando o instinto está cheio de novo, o jogador pode sair andando na direção do próximo grupo e inventar outra história descarada – ‘Preciso consertar um barco, só estou pegando umas peças no caminho!’ –, e cada piada funciona como uma recompensa divertida depois de minutos tensos.

As seções mais satisfatórias permitem fazer os dois: blefar e depois eliminar. Ao enganar os inimigos, uma área inteira se torna segura para explorar à vista, abrindo novas linhas de ataque. Se o jogador eliminar rápido aqueles mesmos inimigos, recupera o instinto gasto – três abates equivalem a um blefe de graça, chegando à próxima zona com o medidor cheio. Em um exemplo no cenário do deserto, o jogador blefa três capangas, sobe em uma escada, usa gadgets para manobrá-los de cima e finaliza o último com um soco voador digno de Superman.

A posição de Bond no momento do blefe também faz diferença. Só são enganados os inimigos que podem ouvir a história, mas é possível andar enquanto fala e puxar outros guardas para o alcance da mentira. Quanto mais inimigos enganados, mais livre o jogador fica para se mover. Tentar enganar o maior número possível de uma vez virou um desafio à parte – o recorde do autor da análise foi cinco.

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Dispatching one watcher is usually simple: my tool of choice is the flash mine gadget, a one-hit knockout. I enjoy the absurdity of emerging behind cover the second it detonates and launching into a bluff. I scared off the man that attacked him – a chap in a green beret! Fonte da imagem: IGN

Há, porém, um tipo especial de inimigo que não pode ser blefado: os Vigias, identificados por um círculo branco acima da cabeça. Eles também protegem os companheiros próximos de serem enganados. Isso cria um novo tipo de quebra-cabeça, em que é preciso planejar a rota e eliminar os Vigias primeiro sem alertar ninguém. Em um exemplo do início do jogo, o jogador entra na lavanderia do porão de um grande hotel eslovaco. Um Vigia e um inimigo comum bloqueiam o caminho; além deles, outro grupo guarda o objetivo. Há várias formas de passar, inclusive usando a briga ou gadgets, mas o autor da análise optou por chutar um carrinho de roupa suja contra o inimigo comum, esmagando-o e deixando o Vigia em pânico. O Vigia sai para investigar, o jogador o sufoca por trás de um pilar e entra na sala seguinte, onde ninguém desconfia do blefe: ‘Burton, da segurança do hotel. Algum relato de batedor de carteiras nesta área?’

Eliminar um Vigia sozinho é simples – a mina de flash, um gadget que nocauteia com um golpe, é a ferramenta preferida. A diversão está em emergir atrás de uma cobertura no instante em que a mina detona e já iniciar um blefe: ‘Eu espantei o homem que atacou ele – um sujeito de boina verde!’. O problema são as zonas com vários Vigias. Esses, e não as lutas contra chefes, são o maior teste de First Light. É preciso contornar o perímetro, encontrar uma abordagem que funcione e usar todo o arsenal de gadgets para atrair cada Vigia para longe dos colegas.

Em um escritório de segurança onde o autor fingiu ser jornalista, dois pares de Vigias patrulhavam duas áreas. Ele falhou muitas vezes, ativando as lutas concussivas do jogo – que, de certa forma, são uma recompensa por si só, já que arremessar uma garrafa em um Vigia e depois esmagar a cabeça dele contra uma estante de livros é tão eficaz quanto uma eliminação silenciosa. Mesmo assim, ele preferia recomeçar, ansioso para ouvir que história Bond contaria se tivesse a chance.

First Light oferece muitas oportunidades de blefe, com várias seções furtivas em cada capítulo, mas o autor sente falta de mais. A maioria das missões tem tiroteios obrigatórios. As armas até funcionam bem, mas as balas vêm de todos os lados, tornando os combates um pouco sem forma. Mais de uma vez, depois de limpar uma área, o caminho estava bloqueado porque nem todos os inimigos haviam sido mortos – foi preciso voltar e encontrar um metralhador escondido atrás de uma caixa num canto distante. O autor teria preferido menos momentos de Bond atirador de elite e mais do Bond tagarela e atrevido. Existem, afinal, jogos de tiro em terceira pessoa melhores que First Light – mas é difícil pensar em outro em que o jogador possa caminhar na direção dos inimigos vestindo uma gola rulê e um paletó com colarinho e perguntar: ‘Ei, vocês aí, a máquina de café deu defeito?

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/in-007-first-light-bonds-bs-is-his-best-weapon.

Fonte: IGN.

IGN Articles.

2026-05-30 11:30:00

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