O Backrooms, um dos fenômenos de terror mais peculiares e expansivos da internet, finalmente ganhou as telonas. O novo filme, que estreia nos cinemas hoje, já é apontado como um concorrente de peso para produções como The Mandalorian e Grogu. Mas afinal, o que é — ou são? — os Backrooms, e por que esse conceito se tornou uma exploração tão fascinante do horror?
Tudo começou em 2019, em um fórum do 4chan. Um usuário anônimo postou uma foto de um espaço vazio em uma loja HobbyTown em reforma, pedindo imagens perturbadoras que pareçam estranhas. Outro anônimo respondeu com uma descrição sombria que definiria todo o conceito: Se você não tomar cuidado e ‘noclipar’ para fora da realidade em áreas erradas, vai parar nos Backrooms, onde não há nada além do cheiro de carpete velho e úmido, a loucura do amarelo monocromático, o zumbido interminável das luzes fluorescentes e aproximadamente seiscentos milhões de milhas quadradas de salas vazias segmentadas aleatoriamente para ficar preso. Deus te livre se você ouvir algo vagando por perto, porque com certeza ele já ouviu você.
Assim nasceu um fenômeno que geraria inúmeras histórias, jogos, filmes e muito mais. O termo noclip vem dos videogames, descrevendo quando um jogador ou objeto atravessa paredes, saindo dos limites do mundo do jogo. A foto se transformou em um projeto de ficção colaborativa, expandido dramaticamente por contadores de histórias e criadores, que adicionaram níveis numerados, entidades, ecossistemas e regras. A filosofia central era: e se os Backrooms fossem uma realidade alternativa infinita? O conceito é frequentemente comparado à Fundação SCP, que também usa ficção colaborativa para construir sua mitologia.

Em vez de seguir a mitologia extensa da Wiki dos Backrooms, o diretor Kane Parsons optou por uma abordagem de horror analógico, criando um thriller conspiratório pseudocientífico no estilo found footage. Sua narrativa conecta ideias como instabilidade dimensional (pessoas caindo nos Backrooms aleatoriamente em lugares comuns), o Async Research Institute (uma organização misteriosa que estuda o fenômeno), experimentação corporativa (interferência humana criando espaços não euclidianos) e portais de limiar (portas que se abrem e fecham à vontade). Na visão de Parsons, os Backrooms deixaram de ser uma dimensão infinita de pesadelo criada pela comunidade para se tornar um experimento fracassado que leva a um espaço impossível.
Parsons usou uma estrutura narrativa cinematográfica com gravações em VHS para construir esse mundo assustador, que ainda parece fora de alcance. A natureza ambígua do cenário, combinada com isolamento total, silêncio e escala, tornou a experiência inesquecível. Seus vídeos no YouTube ainda traziam elementos da Wiki, como algumas entidades, mas na maior parte, o próprio espaço era o monstro. Como o próprio Parsons disse em entrevista recente a James Wan e A24, essa versão dos Backrooms é um purgatório que construímos. Não é um purgatório além da humanidade, é um paraíso para o qual estamos claramente nos empurrando… estamos construindo prisões para nós mesmos.
O Backrooms certamente será lembrado como um conceito lendário e atemporal. É uma mistura assustadora e brilhante de ideias da internet — terminologia de videogame, narrativa creepypasta, fotografia de espaços liminares, horror analógico e nostalgia da internet. O que começou como uma única imagem perturbadora em um fórum se transformou em um marco do horror geracional. Agora, esse purgatório profundamente perturbador finalmente chega aos cinemas, e você pode experimentar a loucura do seu abraço amarelo monocromático a partir de hoje. Só não se esqueça de encontrar a saída.
O filme The Backrooms já está em cartaz nos cinemas.
Leia mais aqui em inglês: https://static0.polygonimages.com/wordpress/wp-content/uploads/2026/05/backrooms.jpg.
Fonte: static0.polygonimages.com.
Polygon.com.
2026-05-29 12:28:00








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