Luna Abyss: o tiro em primeira pessoa que mistura Doom, Metroid Prime e Returnal em uma aventura compacta e viciante

O ano de 2026 já se consolidou como um dos mais fortes para os fãs de jogos de tiro. Títulos como Pragmata, Marathon, Mouse: P.I. for Hire e Saros dominaram as atenções, mas um novo nome acaba de entrar na lista dos imperdíveis: Luna Abyss. Desenvolvido pela Kwalee Labs e lançado para PlayStation 5, Windows PC e Xbox Series X — com disponibilidade também no Game Pass —, o jogo é um first-person shooter que bebe das fontes de Returnal, Doom e Metroid Prime para criar uma experiência intensa e fluida.

A premissa coloca o jogador na pele de um prisioneiro em uma megastrutura ameaçadora localizada em uma lua. Para reduzir sua sentença de décadas, o carcereiro robótico da prisão ordena que você recupere tecnologia perdida enterrada sob um emaranhado interminável de tubos e aço deteriorado. A missão parece simples, não fosse o fato de que a prisão está infestada de monstros. A narrativa, embora carregada de um lore rebuscado, é enigmática o suficiente para arrastar o jogador para uma aventura sombria de cerca de seis horas, repleta de luzes vermelhas ofuscantes que constroem uma atmosfera estelar.

Os cenários macabros servem de arena para os combates no estilo Doom. No início, o arsenal se resume a um fuzil de reconhecimento que dispara tiros precisos contra criaturas semelhantes a dregs. Conforme o jogo avança, surgem a espingarda e o fuzil de longo alcance, ambos capazes de quebrar escudos de cores diferentes. Apesar de o tiroteio ser um pouco raso, cada arma causa um impacto satisfatório, e há um ótimo fluxo ao alternar entre elas para quebrar escudos e causar dano máximo. A cada novo poder — como finalizações explosivas e escudos de bolha — a jogabilidade ganha camadas extras, sempre que parece que o jogo já mostrou tudo o que tem a oferecer.

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Image: Kwalee LabsFonte da imagem: Polygon

O grande diferencial de Luna Abyss é o sistema de mira automática, herdado diretamente de Metroid Prime. Isso permite que o jogador foque mais no movimento durante as lutas, desviando dos inimigos enquanto dispara, sem se preocupar em mirar manualmente — apenas tomando cuidado para não superaquecer a arma temporariamente. O sistema é combinado com ondas de orbes coloridos disparados pelos inimigos, semelhante ao que acontece em Saros, forçando o jogador a dançar entre os projéteis para sobreviver. Os chefes, em especial, elevam a tensão: círculos malignos inundam a tela com lasers e orbes, e a mira automática ajuda a manter o controle, mas ainda é preciso se movimentar com elegância.

A plataforma é outro ponto alto, também claramente inspirada em Metroid Prime. O que começa com simples pulos entre plataformas de metal logo se expande: nas primeiras duas horas, o jogo introduz novos truques em um ritmo constante. O jogador aprende a dar um dash aéreo através de portões rosa e a possuir máquinas para se lançar. Cada novo poder se integra naturalmente ao arsenal, levando a um estado de fluxo em que pulos duplos, dashes aéreos e possessões de máquinas se encadeiam em sequências rápidas e fluidas. A sensação é tão ágil quanto a de Ghostrunner, que estabeleceu o padrão para plataforma em primeira pessoa em 2020, mas com a abordagem acessível de Metroid Prime.

O que mais impressiona em Luna Abyss, no entanto, é sua autoconfiança. O jogo não tem vergonha de ser um shooter descompromissado em que o objetivo é explodir aliens de forma satisfatória — e nem deveria. Essa experiência é parte fundamental do DNA do gênero, remontando a clássicos como Space Invaders. Luna Abyss abraça essa essência ao colocar o jogador em uma grande e absurda peça de tom, onde os monstros explodem como piñatas. Há ficção científica densa para quem busca algo mais profundo, e os níveis da megastrutura tortuosa formam um labirinto sublime para ser admirado, mas nada supera a alegria primitiva de detonar um monstro e sentir o feedback da arma na mão. É arte formalista em movimento.

Com uma campanha enxuta de cerca de seis horas, Luna Abyss prova que um jogo não precisa ser extravagante como Saros ou inovador como Pragmata para competir de igual para igual com os grandes do gênero. É um título que entrega ação de primeira qualidade, plataforma precisa e uma atmosfera envolvente, tudo em um pacote compacto que já está disponível para as principais plataformas e no Game Pass.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/luna-abyss-impressions/.

Fonte: Polygon.

Polygon.com.

2026-05-26 20:00:00

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