007 First Light: IO Interactive reinventa James Bond em um jogo que mescla espionagem, ação e juventude

A IO Interactive, conhecida pela série Hitman, assume o desafio de levar James Bond aos videogames com 007 First Light, um título que não apenas apresenta um novo começo para o personagem no mundo dos games, mas também reconta sua origem de forma inédita. Diferente dos filmes, onde 007 já é um agente experiente na casa dos 40 anos, aqui ele tem apenas 26 anos e ainda não é o 007 — na verdade, ele começa como um tripulante da Marinha Real Britânica. Quando uma missão dá errado, o MI6 assume o controle e oferece a ele uma vaga no treinamento dos agentes duplo-zero, ao lado de outros seis recrutas. O jogo inteiro é sobre Bond provar que merece o título.

Image: IO Interactive via PolygonFonte da imagem: Polygon

O ator Patrick Gibson, conhecido por The OA e Shadow and Bone, dá vida a esse Bond jovem, falante e cheio de atitude, mas com a elegância e o carisma esperados do personagem. A atuação é elogiada como a escolha perfeita, capturando a rebeldia e a inteligência rápida de um agente em formação. O elenco de apoio também se destaca, com Lennie James interpretando John Greenway, o mentor cético e durão, e Kiera Lester como Eve Moneypenny, a agente de escritório e amiga de Bond. A IO Interactive acerta em cheio ao criar uma obra digna do nome Bond, segundo a crítica.

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A trama de First Light é uma mistura ousada dos filmes de Daniel Craig, como Skyfall, Spectre e No Time To Die. Elementos como o retorno do agente 009, uma cabala misteriosa manipulando os acontecimentos e uma inteligência artificial poderosa que ameaça extinguir o programa duplo-zero estão todos presentes. Para os fãs da franquia, é uma homenagem nostálgica; para outros, pode parecer uma cópia descarada. De qualquer forma, a combinação funciona perfeitamente para os entusiastas de longa data.

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A jogabilidade é uma fusão entre o estilo furtivo e meticuloso de Hitman e as cenas de ação exageradas de Uncharted. As fases maiores geralmente seguem um padrão: a primeira metade é dedicada a se misturar ao ambiente e coletar informações, seguida por combate furtivo e, por fim, uma perseguição ou luta contra chefe cheia de adrenalina. Os fãs de Hitman se sentirão em casa nas partes mais lentas, já que a IO Interactive mantém sua essência. A diferença é que, em vez de eliminar alvos específicos, Bond precisa apenas obter informações, invadindo áreas proibidas e blefando em conversas.

O jogo tem cerca de 20 horas de duração, podendo ser maior para quem explora cada detalhe. Conversas entre NPCs podem ser ouvidas para obter dicas, mas muitas servem apenas para enriquecer o mundo, e funcionam bem. Em um resort de luxo no Vietnã, o jogador pode passar minutos observando um homem pomposo tentando, sem sucesso, conquistar duas mulheres à beira da piscina. Em um torneio de xadrez na Eslováquia, é possível escutar e até corrigir um casal discutindo a origem do troféu do vencedor. A atenção aos detalhes e a qualidade da dublagem são impressionantes.

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As regras de engajamento variam conforme o local. Em áreas restritas, ser visto resulta apenas em ser escoltado para fora. Já em áreas onde se está invadindo, o jogador pode optar por obedecer, blefar ou entrar em combate — mas apenas com socos, já que o uso de força letal só é permitido quando o inimigo tenta matar Bond primeiro. Isso é fiel ao personagem, mas limita as possibilidades em comparação com Hitman. A maior falha de design é a impossibilidade de mover ou esconder corpos, o que torna a violência um último recurso. Apesar disso, é possível completar todas as seções furtivas sem violência, embora seja extremamente difícil no nível de dificuldade padrão.

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As seções de combate forçado, onde Bond pode usar armas de fogo, são inspiradas em Uncharted: o jogador se move de cobertura em cobertura, eliminando hordas de inimigos. A pontaria é precisa e satisfatória, mas a movimentação é um pouco travessa, provavelmente devido ao uso do motor Glacier de Hitman, que não prioriza fluidez. O Q-Watch, um gadget que permite hackear dispositivos, lançar granadas de fumaça e disparar dardos que causam náusea, adiciona uma camada tática que lembra Watch Dogs. Esses itens são úteis tanto na furtividade quanto no combate.

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As lutas contra chefes seguem todas o mesmo padrão: Bond é mais fraco e precisa usar o Q-Watch para armar armadilhas e pegar o inimigo desprevenido. A fórmula é repetitiva e parece inadequada para um agente como Bond. As seções de direção, outro elemento clássico dos filmes, também decepcionam: são sobre trilhos, sem sensação de velocidade, e só mais tarde o jogador tem acesso a veículos com armamentos. Outros pequenos problemas incluem a falta de reação dos NPCs após certas ações e a ausência de pressão temporal em momentos de urgência.

Apesar dos defeitos, 007 First Light é um jogo brilhante e polido, que pode ser considerado o melhor jogo do Bond já feito. A crítica aponta que o início é um pouco lento, e que o jogo poderia ter explorado mais o lado Hitman, com mais soluções para cada nível e recompensas além da construção de mundo. No entanto, como base sólida para uma sequência, é uma experiência explosiva e divertida.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/007-first-light-review/.

Fonte: Polygon.

Polygon.com.

2026-05-26 15:09:00

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