A mais nova série do Homem-Aranha está longe do MCU, mas nem por isso deixa de ser uma das produções mais divertidas e visualmente impressionantes do universo Marvel nos streamings nos últimos anos. Spider-Noir, que estreia nos Estados Unidos em 25 de maio pelo MGM+ e chega globalmente ao Prime Video em 27 de maio, aposta em uma abordagem ousada: transporta personagens clássicos dos quadrinhos para a Nova York da Lei Seca, nos anos 1930, transformando heróis e vilões em detetives e gângsteres.
A trama se passa em uma cidade que, até 1933, conheceu apenas um ser com superpoderes: o vigilante conhecido como A Aranha. Há cinco anos, porém, ninguém viu ou ouviu falar do herói, cuja identidade secreta é a do detetive particular Ben Reilly, interpretado por Nicolas Cage. O desaparecimento de Ben das ruas é o ponto de partida da série, que o mostra afogando seus demônios internos no álcool. A calma é quebrada quando quatro criminosos superpoderosos surgem de repente: Flint Marko, o Homem-Areia (Jack Huston); Lonnie Lincoln, o Tombstone (Abraham Popoola); Dirk Leydon, o Megawatt (Andrew Lewis Caldwell); e Jimmy Addison (Jack Mikesell), que controla o fogo. Para enfrentá-los, Ben é forçado a vestir novamente o uniforme de A Aranha.
Enquanto investiga a origem dos quatro vilões, Ben descobre que eles estão ligados ao maior chefão do crime da cidade, Silvermane (Brendan Gleeson), que aqui ganha uma versão irlandesa do personagem originalmente italiano dos quadrinhos. Além disso, o detetive se envolve com a cantora Cat Hardy (Li Jun Li), uma versão da femme fatale Felicia Hardy, a Gata Negra. Quanto mais Ben se aprofunda no caso, mais problemas enfrenta – e mais é obrigado a confrontar os próprios fantasmas.
O grande trunfo da série é Nicolas Cage. O ator define seu personagem como 70% Humphrey Bogart e 30% Bugs Bunny, e essa mistura de cinismo e humor pastelão funciona perfeitamente. Cage transita com desenvoltura entre o melodrama, a comédia física, as cenas de ação e até o body horror, contagiando o espectador com seu entusiasmo. Ben Reilly é um herói relutante: nunca quis os poderes que ganhou e, quando surge a chance de perdê-los, ele a agarra. Com nenhum poder vem nenhuma responsabilidade, diz ele, subvertendo o lema clássico do Homem-Aranha. Mas, como a série deixa claro, Nova York sempre precisará de algum tipo de Homem-Aranha para protegê-la.
O elenco de apoio também se destaca. Brendan Gleeson interpreta um Silvermane pragmático e brutal; Li Jun Li dá vida a uma Cat Hardy dúbia, mas vulnerável; Jack Huston e Abraham Popoola humanizam capangas que talvez não sejam tão maus assim. Entre os aliados de Ben, Lamorne Morris rouba a cena como o repórter Robbie Robertson, que se vê envolvido nas confusões de forma hilária. Karen Rodriguez é a arma secreta da série como Janet, a assistente de Ben e voz da razão sarcástica. Já o jovem Cary Christopher interpreta Frankie, um moleque de rua espertinho que lembra o garoto de Dick Tracy.
Tecnicamente, Spider-Noir é um primor. Os cenários e figurinos de época são imersivos, a fotografia é sombria e elegante, e tudo contribui para criar uma atmosfera de filme noir glamourosa e corrupta. A direção dos showrunners Oren Uziel e Steve Lightfoot garante um texto afiado, engraçado e até emocionante, à medida que conhecemos as tragédias por trás do anti-herói e dos supervilões. Phil Lord e Christopher Miller, os criadores dos filmes animados do Homem-Aranha no Aranhaverso, são produtores executivos – mas atenção: o personagem de Cage nos filmes animados era uma variante de Peter Parker, não Ben Reilly.
Com oito episódios disponíveis de uma vez, Spider-Noir é uma aposta certeira para quem busca uma série de super-herói diferente, com personalidade própria e muito estilo. A produção prova que é possível inovar dentro do gênero sem precisar se amarrar a um universo compartilhado.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/spider-noir-season-1-review-nicolas-cage.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-05-22 14:00:00








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