Rick and Morty: 9ª temporada mantém frescor e supera 8ª, com episódios antológicos e subaproveitamento de Summer e Beths

A nona temporada de Rick and Morty chega ao público sem a pretensão de revolucionar a fórmula, mas com a segurança de quem sabe entregar o que os fãs esperam – e, em vários momentos, superar as expectativas. A nova leva de episódios, que estreia no Adult Swim em 24 de maio e chega ao HBO Max em 15 de junho, mostra que a série conseguiu se manter consistente ao longo de nove anos (dez, se contarmos o anime derivado). Diferentemente de outras animações longevas – como Os Simpsons, que iniciou seu declínio justamente na nona temporada –, Rick and Morty parece longe de perder o fôlego.

A temporada não aposta em um grande arco serializado. Desde que a trama de Rick-Prime foi encerrada na sétima temporada, a série não se preocupou em estabelecer um novo conflito central. Na nona temporada, o único fio condutor entre os episódios é uma subtrama envolvendo uma piscina no quintal dos Smith. Para quem apreciava a espinha dorsal que movia a narrativa para frente, isso pode decepcionar. A temporada tem apenas um episódio de “mitologia”, que não altera significativamente o status quo de Rick nem apresenta uma ameaça maior à sua existência hedonista – e ainda pode desagradar os fãs pelo tratamento dado a um personagem de longa data.

Apesar disso, a nona temporada engata rápido. O pico acontece cedo, no segundo episódio, “Ricks Days, Seven Nights”, que mostra o que acontece quando as férias anuais de Rick dão terrivelmente errado. Esse episódio e o sexto, “Erickerhead”, colocam Rick em conflito direto consigo mesmo, explorando com humor e drama como ele é seu próprio pior inimigo – literal e figurativamente. A temporada também traz episódios fortes centrados em Morty, que continua tentando se afastar da influência maligna do avô. O sétimo episódio, “Mortgully: The Last Rickforest”, força a dupla a se integrar a um ecossistema alienígena e evoluir ou morrer, gerando jornadas bem diferentes. Já o oitavo, “Rickuiem Mort a Dream”, aborda a empatia e promove uma inversão de papéis entre os protagonistas, com resultados muito divertidos.

O final da temporada, “Field of Dreams”, é o episódio mais significativo para Morty. Sem dar muitos spoilers, trata-se de um capítulo focado no multiverso que mostra a Morty um mundo onde sua vida poderia ter sido diferente, explorando de forma pungente o quão tóxica e destrutiva é a dinâmica entre Rick e Morty. Um encerramento sóbrio para a nona temporada.

É claro que nem tudo são flores. O terceiro episódio, “Rick Fu Hustle”, começa como uma paródia divertida de filmes de artes marciais, mas não se desenvolve em algo realmente cativante – ainda que a sequência de luta em estilo anime seja engraçada. O quinto episódio, “Jer Bud”, também decepciona: embora remeta a um dos primeiros episódios da série, o conflito centrado em Morty nunca realmente funciona.

No que diz respeito aos outros membros da família Smith, a temporada deixa a desejar. Fãs de Summer (Spencer Grammer) e, especialmente, das duas Beths (Sarah Chalke) podem se sentir frustrados. Nenhuma dessas personagens recebe a atenção que merece. Space Beth, em particular, aparece apenas como uma participação glorificada. Summer ganha mais destaque na segunda metade da temporada, geralmente com resultados divertidos, mas ainda há muito potencial inexplorado. Por outro lado, Jerry (Chris Parnell) continua sendo o personagem mais consistentemente engraçado e o MVP secreto da série. Vários episódios se beneficiam de subtramas memoráveis com ele – em “Jer Bud”, por exemplo, descobrimos o quão perigoso o patriarca Smith pode ser quando sua confiança é artificialmente elevada. Em “Rickuiem Mort a Dream”, Jerry forma um vínculo involuntário com um serial killer local, com consequências hilárias.

Visual e sonoramente, a nona temporada não decepciona. Episódios como “Rick Fu Hustle” e “Mortgully: The Last Rickforest” se destacam por cenas de ação bombástica e caos sci-fi, com visuais inventivos e cenários incomuns. A série lida muito bem com o espetáculo, superando o que normalmente se espera de produções do Adult Swim – beneficiando-se, claro, de um orçamento maior.

O elenco de voz principal também não deixa a desejar. Ian Cardoni e Harry Belden conseguiram tornar os personagens seus ao longo das últimas temporadas, sem nunca soar como uma imitação pálida de Justin Roiland. As vozes são tão semelhantes que seria necessário comparar amostras lado a lado para notar a diferença. A única crítica vocal é a falta de participações especiais marcantes: apenas Owen Wilson deixa uma impressão forte, em “A Ricker Runs Through It”.

No balanço geral, o melhor que se pode dizer sobre a nona temporada de Rick and Morty é que ela nunca parece estagnada. Sim, alguns episódios funcionam melhor que outros, e alguns personagens são subutilizados. Mas a narrativa ainda tem frescor e mordida, mesmo após quase 100 episódios. Comparada à oitava temporada, que muitas vezes reciclou ideias passadas, a nona se mostra mais nova e inventiva. É um sinal muito positivo, especialmente porque a série já foi renovada até a 12ª temporada. Cem anos de Rick and Morty, de fato.

IGN Articles.

2026-05-19 18:27:00

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/rick-and-morty-season-9-review-adult-swim.

Fonte: IGN.

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