Em 2040, a nave Event Horizon desapareceu perto de Netuno após a tripulação ativar o Gravity Drive, um motor experimental projetado para criar buracos de minhoca. Sete anos depois, em 2047, a nave reapareceu e enviou um sinal de socorro. Quando a equipe de resgate embarcou, encontrou a tripulação morta. Os registros indicavam que o Gravity Drive abriu um portal para o Inferno, que deu vida à nave e enlouqueceu a tripulação, levando-a a se matar mutuamente. O mesmo destino se abateu sobre os socorristas, embora alguns tenham escapado na metade frontal da nave, enquanto a parte traseira foi destruída junto com o motor. Essa é a trama do filme de terror e ficção científica de 1997, ‘Event Horizon’ (no Brasil, ‘Horizonte de Eventos’), que fracassou nos cinemas, mas se tornou um clássico cult.
O sucesso do longa inspirou a IDW Comics a publicar uma prequela em quadrinhos de cinco edições, ‘Event Horizon: Dark Descent’ (no Brasil, ‘Horizonte de Eventos: Descida Negra’), lançada no ano passado, que detalha os eventos da tripulação original da nave. Agora, a editora lançou uma sequência ambientada 200 anos após os acontecimentos do filme. Intitulada ‘Event Horizon: Inferno’, a série limitada de cinco edições acompanha outra nave que explora as ruínas do Event Horizon sob o comando do CEO Daniel Durante, descrito como uma figura inspirada nos bilionários da tecnologia atual, como Elon Musk.

O roteirista Christian Ward, que também escreveu a prequela, conversou com o site Polygon para explicar por que acredita que o filme ainda ressoa com o público. Para ele, o valor de produção é um dos fatores: ‘É um filme muito bonito, muito bem feito e não se parece com nada, antes ou depois. A própria nave Event Horizon é como uma catedral do terror. Não faz sentido que seja uma nave espacial, porque tem arcos góticos em lugares muito industriais. O filme tem uma grandeza gótica e é uma história de terror cósmico.’ Ward acrescenta que, mesmo com falhas aparentes, o filme se beneficia delas: ‘Você pode dizer que faltam coisas e parece um pouco desconexo em alguns lugares, mas nada disso o prejudica. De certa forma, melhora, porque esses buracos aumentam o mistério.’
Sobre a sequência, Ward revelou que sempre enxergou o filme original como uma versão industrial de ‘Star Trek’, com uma tripulação internacional. Com a viagem espacial atual, ele quis explorar como seria uma versão bilionária de ‘Jornada nas Estrelas’. Além disso, ele se inspirou em ‘Aliens, o Resgate’ para o tom da nova HQ: ‘Com Dark Descent, era como ‘Alien, o 8º Passageiro’: escuro, cheio de pavor, lento e crescente. Para Inferno, conversei com meu editor, Nick Nino, e decidimos que precisava parecer quase um filme de ação, então pisquei para ‘Aliens’. Temos fuzileiros navais espaciais, mas como funciona? Você pode matar entidades demoníacas de terror cósmico com balas? Acho que não, mas essa é a história.’

Na prequela, Ward apresentou o demônio Paimon como vilão. Já em ‘Inferno’, a entidade é Samael, um anjo caído com um acordo diferente, que só será revelado na última edição. ‘No momento, tudo o que ele faz é sussurrar nos ouvidos das pessoas e influenciá-las. Ele é literalmente o diabo no seu ombro’, explicou o roteirista. Ele também comentou a decisão de explodir a nave no final de Dark Descent: ‘Minha história era: Por que o navio está vivo? No final das cinco edições, eu explodi o navio e essa foi a única nota que recebi: Você não pode explodi-lo porque ele explode no filme. Eu respondi: Não, temos que explodi-lo. Temos que matar o navio para que Paimon, um demônio associado à ressurreição, possa ressuscitá-lo e assim ele estará vivo.’
O envolvimento dos cineastas originais no projeto foi de apoio, sem participação ativa. ‘Tivemos que passar tudo por eles, mas eles não tiveram um papel ativo além de serem muito solidários, especialmente Philip Eisner, o roteirista do filme original. Eles estão ainda mais empolgados com Inferno do que com Dark Descent, porque a história vai para muitos lugares malucos diferentes’, afirmou Ward.
A edição nº 1 de ‘Event Horizon: Inferno’ já está disponível nas lojas de quadrinhos. A edição nº 2 chega em 3 de junho. A série é escrita por Christian Ward, com arte de Rob Carey, cores de Xenon Honchar e letras de Alex Ray, publicada pela IDW Comics em parceria com a Paramount.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/event-horizon-sequel-comic-interview/.
Fonte: Polygon.
Polygon.com.
2026-05-17 17:30:00








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