O lançamento de Subnautica 2 em acesso antecipado trouxe alívio para os fãs, mas não apenas por motivos relacionados ao jogo. A sequência do aclamado jogo de sobrevivência submarina chega envolta em uma polêmica corporativa que envolveu a editora Krafton atrasando o lançamento e demitindo desenvolvedores-chave para tentar evitar o pagamento de um bônus milionário. Os desenvolvedores foram reintegrados e o jogo finalmente foi lançado, mas a questão do bônus ainda não foi resolvida. O caso é visto como mais uma derrota para o que o autor chama de ‘curto-circuito do capitalismo tardio’, onde CEOs preferem não produzir algo a ter que pagar por ele.

Apesar do drama nos bastidores, a Unknown Worlds Entertainment trabalhou silenciosamente para criar mais Subnautica. O jogo, ainda em acesso antecipado, já está em ótima forma e promete melhorar. Segundo Josh Broadwell, do Polygon, a recepção foi imediata: quase meio milhão de pessoas jogavam simultaneamente no Steam minutos após o lançamento, e a Unknown Worlds anunciou que o jogo vendeu um milhão de cópias em apenas uma hora. Para o CEO e acionistas da Krafton, isso pode ser uma má notícia, mas o autor do texto afirma que eles fizeram um mau acordo e devem arcar com as consequências.

O aspecto mais surpreendente de Subnautica 2 é seu foco intenso na narrativa e na atualidade de seus temas. O jogo apresenta um assistente de IA que tenta microgerenciar todas as ações do jogador e moldar sua compreensão do mundo, um tema comum em jogos de sobrevivência de ficção científica, como The Alters. Apesar de não parecer diretamente relacionado às circunstâncias bizarras da criação do jogo, o autor sugere que talvez haja uma conexão: afinal, trata-se de um sistema que tenta controlar o trabalho humano envolvido.

Enquanto isso, a Playground Games, desenvolvedora de Forza Horizon, parece viver em uma realidade oposta. O estúdio se transformou silenciosamente em um dos mais valiosos da Microsoft, e a série Forza Horizon se tornou um porta-estandarte mais importante e relevante para o Xbox do que Halo. Forza Horizon 6, disponível para alguns jogadores antes do lançamento completo na próxima semana, manteve a sequência de notas acima de 90 no Metacritic, algo que nenhum outro estúdio da Microsoft – nem Bethesda ou Blizzard – pode reivindicar. Os números no Game Pass serão ótimos, assim como as vendas no PlayStation 5 ainda este ano, e a nova liderança do Xbox estará satisfeita.

No entanto, o autor aponta uma verdade incômoda sobre videogames, especialmente os de franquias populares: eles também são sistemas que adquirem impulso próprio, ignorando os impulsos da criatividade humana. Subnautica 2 é descrito como ‘mais do mesmo, mas melhor’, enquanto Forza Horizon 6 é ‘mais de algo que já era praticamente perfeito’. Ambos são trabalhos artesanais triunfantes – um feito em condições de adversidade absurda e autodestrutiva, outro feito na gaiola dourada da excelência de seus antecessores. Nenhum dos dois corre riscos.

O texto faz uma comparação com o designer Takashi Tezuka, que se aposentou recentemente. Em 1993, Tezuka decidiu quebrar o formato da série The Legend of Zelda com Link’s Awakening para Game Boy, apenas sete anos após o primeiro jogo. Esse espírito de inovação permaneceu nos jogos Zelda desde então e contribuiu imensamente para sua longevidade. A questão, segundo o autor, é que a inércia dos sistemas sequenciais autossustentáveis pode ser enorme, mas será sempre superada pelo desejo natural dos jogadores por novas experiências.

O autor conclui que não consegue imaginar a coragem necessária para fazer Subnautica 2, dadas as circunstâncias, nem a coragem que seria necessária para alguém na Playground sugerir rasgar a fórmula de um dos jogos de corrida mais bem-sucedidos da história. Mas, se eles não o fizerem, alguém o fará.




Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/patch-notes-subnautica-2-forza-horizon-6/.
Fonte: Polygon.
Polygon.com.
2026-05-17 15:00:00








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