O GameCube foi a última vez em que a Nintendo tratou a disputa técnica com as concorrentes como prioridade — e fez isso dentro de um cubo roxo com alça, que parecia mais uma lancheira que você levaria para a escola por engano. Apesar da aparência, o console acumulou alguns dos melhores jogos da sua geração. Muitos passaram batido na época, mas, fora o custo envolvido, nada impede que você corra atrás deles agora. Separamos dez títulos que merecem uma segunda olhada.

Billy Hatcher and the Giant Egg (Sega, 23 de setembro de 2003) chegou a aparecer no disco de preview do GameCube distribuído pela Nintendo na temporada de festas de 2003, mas a exposição não virou sucesso de crítica. Desenvolvido pela Sonic Team, o jogo trazia mecânicas próprias: o jogador empurrava ovos gigantes por fases de puzzle, cumprindo missões e desviando de obstáculos.

Gotcha Force (Capcom, 27 de novembro de 2003) passou despercebido mesmo com a Capcom publicando vários hits no console. O jogo oferecia ação de tiro em 3D e uma campanha longa, feita para ser repetida várias vezes até desbloquear um enorme exército de brinquedos armados, usados contra esquadrões controlados por até três outros jogadores. O estilo arcade não agrada todo mundo e a câmera poderia ser mais refinada, mas quem procura algo competitivo no espírito de Power Stone tem bastante o que explorar.

Lost Kingdoms (Activision, 25 de abril de 2002) veio da From Software antes de a desenvolvedora ficar conhecida por Dark Souls. Lançado no Japão como Rune, o jogo acompanha Katia, protagonista determinada que atravessa um reino de fantasia coberto de névoa, enfrentando monstros com habilidades tiradas de um baralho mágico. Os visuais eram muito bons para a época, e as batalhas em tempo real usando cartas como arma principal incentivavam abordagens diferentes das dos RPGs tradicionais. A modificação de cartas era outro atrativo. O jogo foi bem o suficiente para ganhar uma sequência em 2003, mas a série parou por aí.

Chibi-Robo! (Nintendo, 23 de junho de 2005) foi o maior sucesso da Skip Ltd., desenvolvedora pequena conhecida pela parceria com a Nintendo. O jogo de aventura saiu no Japão em 2005 e chegou à América do Norte e à Europa em 2006. O jogador controla robôs minúsculos que espalham felicidade pelos cenários e acumulam happy points. A série teve desempenho irregular depois do primeiro jogo e terminou com Chibi-Robo!: Zip Lash, de 2015. O original do GameCube está disponível no Nintendo Switch Online, o que facilita testá-lo no Switch 2.

Skies of Arcadia Legends (Sega, 26 de dezembro de 2002) é um dos melhores RPGs já lançados que pouca gente fora do círculo de fãs dedicados conhece. Ele estreou no Dreamcast e chegou ao GameCube com conteúdo superior: modelos de personagem mais detalhados, tempos de carregamento reduzidos e side quests adicionais. Os belos mundos no céu, as batalhas entre aeronaves e o combate por turnos entregavam uma experiência clássica e ao mesmo tempo grandiosa. Até hoje, o jogo não foi disponibilizado em hardware mais recente.

Custom Robo (Nintendo, 4 de março de 2004) é uma franquia curta da Noise Inc. publicada pela Nintendo. Só as versões de GameCube e DS chegaram à América do Norte, e nenhuma das duas encontrou público suficiente para manter a série viva. No GameCube, o jogador controla máquinas de guerra em miniatura em arenas virtuais, usando peças e armas personalizadas que vão de bombas a cápsulas teleguiadas. As batalhas acontecem em terceira ou primeira pessoa. Vencer libera o modo história A New Journey, que recompensa o jogador com novas opções ao ser concluído.

Odama (Nintendo, 31 de março de 2006) é para quem já jogou pinball e pensou que seria bem melhor se desse para empurrar a bola por um campo de batalha controlado por voz. A experiência só foi possível graças ao microfone periférico, que vinha na caixa caso o consumidor não tivesse um de outro jogo, como os Mario Party mais recentes. O jogador usava o aparelho para gritar ordens às tropas, enquanto o controle padrão ativava flippers gigantes e interagia com o mítico Odama, uma bola enorme que trazia vingança contra inimigos feudais. Yoot Saito, mais conhecido por Seaman, foi o produtor.

Baten Kaitos: Eternal Wings and the Lost Ocean (Namco, 16 de novembro de 2004) costuma ficar ofuscado por Tales e Xenosaga quando se fala dos RPGs da Namco. A série curta foi co-desenvolvida pela Monolith Soft e pela tri-Crescendo e começou com esse título, que misturava história épica, visuais bonitos e batalhas por turnos complexas com cartas colecionáveis. Hoje é fácil jogar tanto ele quanto a prequela Baten Kaitos Origins: os dois foram atualizados e relançados em 2023 como Baten Kaitos 1 & 2 HD Remaster no Nintendo Switch, e no PC em 2024.

Geist (Nintendo, 15 de agosto de 2005) mostra a Nintendo saindo um pouco da linha família. Desenvolvido pela n-Space, o jogo apresenta John Raimi, um cientista integrado a uma equipe antiterrorismo que assume uma identidade espectral depois de um encontro desastroso na França. O título, com classificação M, tem gameplay criativo e permite possuir objetos inanimados.

Visão Gamer: boa parte dessa lista só é acessível hoje em hardware original ou em relançamentos pontuais. Chibi-Robo! está no Nintendo Switch Online, e os dois Baten Kaitos saíram em HD Remaster para Switch e PC, o que reduz bastante a barreira para quem quer conhecer esses jogos sem depender de um GameCube funcionando.


Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/most-underrated-nintendo-gamecube-games/.
Fonte: Polygon.
2026-09-13 17:00:00








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