Campanha de Modern Warfare 4 aposta na fórmula de MW2 — e funciona, diz IGN

A campanha de Call of Duty: Modern Warfare 4 é uma das melhores da série, e boa parte disso vem de um detalhe curioso: ela basicamente replica a estrutura de Modern Warfare 2. É o que defende Matt Purslow, da IGN, em análise de opinião publicada sobre o novo título da Infinity Ward. O texto contém spoilers leves da campanha.

A comparação não é gratuita. Em Modern Warfare 2, de 2009, a Infinity Ward trocou as trincheiras da Segunda Guerra Mundial por uma invasão russa em solo americano, misturando sequências de guerra em larga escala com missões menores de espionagem comandadas pelo capitão Price. Em Modern Warfare 4, a invasão russa vira uma ofensiva norte-coreana, e os subúrbios dos EUA dão lugar às ruas da Coreia do Sul. A espinha dorsal é a mesma.

O que separa MW4 de uma simples cópia, segundo a análise, é o elenco e o tom. O grande destaque é Park Hyun-Jun, interpretado por Young Mazino: um soldado júnior convocado pelo serviço militar obrigatório sul-coreano, sem qualquer interesse em ser militar de carreira, que se vê forçado a lutar quando a Coreia do Norte invade seu país. Enquanto isso, Price segue na sua caçada contra The Archer, vivido por Mads Mikkelsen — uma trama que ecoa a perseguição a Makarov em MW2.

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Fonte da imagem: IGN

A herança mais polêmica de Modern Warfare 2 também reaparece, mas de outro jeito. No lugar de No Russian, MW4 traz a missão Following Orders, em que o jogador veste a pele de um soldado norte-coreano enviado para caçar um inimigo do regime. As escolhas aparecem na forma de decisões: entregar ou não contrabando médico encontrado, revelar ou esconder uma mulher escondida sob o assoalho, questionar o uso de tortura por um aliado e até segurar a corda que enforca um suposto desertor. A IGN avalia que a missão pinta um retrato amplo demais da situação política norte-coreana e não se conecta à história geral como No Russian fazia, mas ainda assim funciona como releitura moderna do conceito.

A análise também compara Following Orders com Passenger, tentativa mais direta de Modern Warfare 3 (2023) de refazer No Russian. Para Purslow, a diferença é gritante: Passenger é essencialmente uma cutscene em primeira pessoa, com o jogador apenas caminhando entre sequências roteirizadas — o oposto da agência que dava sentido à missão original.

O texto ainda contextualiza o histórico acidentado do reboot: Modern Warfare (2019) acertou ao remixar ideias antigas em algo novo, enquanto Modern Warfare 2 (2022) se contentou em refazer sucessos com verniz extra, e Modern Warfare 3 (2023) chegou com pedaços remontados de Verdansk, mapa de Warzone. Modern Warfare 4, na visão do autor, enterra rapidamente as pontas soltas do antecessor e acerta ao honrar o passado sem deixar de reinventá-lo.

Visão Gamer: Para quem joga campanhas de Call of Duty, a leitura é útil para calibrar expectativa: MW4 não tenta reinventar a roda como Black Ops 6, mas aposta no que a franquia faz de melhor — ação cinematográfica em escala de guerra e missões de espionagem mais contidas. A presença de uma missão com escolhas morais no estilo de No Russian é o ponto que mais deve render discussão entre os jogadores.

Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/modern-warfare-4-rescues-the-reboot-series-by-replicating-call-of-dutys-greatest-era.

Fonte: IGN.

IGN Articles.

2026-10-20 15:00:00

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