Mick Gordon não tem papas na língua quando o assunto é inteligência artificial. O compositor responsável pela trilha sonora de Doom (2016) e Doom Eternal foi direto ao ponto durante entrevista à IGN na PAX Australia 2026: F##k AI, disparou, ao ser questionado se consideraria usar IA generativa em seu processo criativo.
A resposta vem acompanhada de uma explicação técnica. Segundo Gordon, a IA generativa sempre estará atrás dos humanos porque é treinada com material que já existe. Ela cria um grande banco de dados do que foi treinado e tira uma conclusão muito lógica sobre esse conjunto de dados. Sempre vai ser limitada pelo seu dataset, explicou. Nunca vai estar em um estado em que consiga prever a próxima coisa, a coisa nova, o que os humanos podem criar.
O compositor também aposta que o público continuará preferindo trabalho humano. Humanos sempre vão querer interagir com outros humanos. Sempre, afirmou. Sinto que essa coisa de IA está dando mais motivos para as pessoas abandonarem essa infecção digital que temos em nossas vidas agora. Humanos sempre vão buscar essa conexão humana.

Gordon tem motivos para defender o processo criativo tradicional. Em Killer Instinct (2013), usou um kangling — instrumento tibetano tradicionalmente esculpido em fêmur ou tíbia humano — para criar o tema do personagem esquelético Spinal. Já em Doom (2016), sampleou sons reais de motosserra para construir os riffs de guitarra que transformaram a trilha em um marco do metal nos games.
Os fãs podem esperar mais trabalho autoral em breve. Gordon contribuiu com uma faixa para Warhammer 40,000: Boltgun 2, que chega em 14 de outubro, com música para a luta contra o chefe final do FPS. Ele também segue trabalhando na trilha de Defect, shooter em esquadrão com temática cyberpunk desenvolvido por veteranos de Doom e Call of Duty.
Para quem quiser ver o compositor ao vivo, Gordon será a atração principal do festival RADAR 2027, no Reino Unido, onde vai performar músicas de Doom e Doom Eternal com banda completa pela primeira vez.
Visão Gamer: A posição de Gordon reforça um debate que ganha força na indústria: enquanto estúdios testam ferramentas de IA para agilizar produção, nomes estabelecidos seguem defendendo o processo humano como diferencial criativo. Para quem joga, a discussão importa porque trilhas sonoras autorais — como as de Doom — são parte central da identidade de um jogo. A performance ao vivo no RADAR 2027 também marca a primeira vez que esse material será apresentado com banda completa, algo que fãs da franquia vinham pedindo há tempos.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/doom-2016-composer-mick-gordon-says-fk-ai.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-10-12 03:00:00








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