A Campanha 4 de Critical Role tem um dos seus momentos mais surreais explicado: a peça KoTher’ai, peça central da trama, nasceu da cabeça de Liam O’Brien, que se inspirou nada menos que em William Shakespeare para escrevê-la. A informação foi revelada no Lore Keeper Ledger de outubro, material disponível exclusivamente no Beacon, serviço de streaming da Critical Role.

O’Brien interpreta Halandil Fang, um bardo que comanda uma companhia de teatro no Hallowed Round, nos arredores de Dol-Makjar. Não é novidade que o ator gosta de teatro, e ele colocou isso dentro da campanha. KoTher’ai acompanha o guerreiro orc Vokjan Murzat, que liderou o povo Rungjani contra o deus orc Azgra, mas acabou traído por alguém em quem confiava.
A escolha de O’Brien segue a mesma lógica que Shakespeare usava: pegar figuras históricas e transformá-las em drama. O Bardo escreveu Júlio César em 1599, baseando-se principalmente em Vidas Paralelas, de Plutarco. A conexão com a peça de Critical Role é direta. César não era um rebelde como Vokjan, mas mexia nas estruturas de poder de Roma a ponto de ser considerado uma ameaça que precisava morrer. Vokjan termina do mesmo jeito: depois de enfrentar os sacerdotes de Azgra, é traído e morto por um amigo próximo, o que faz os outros rebeldes entrarem em pânico e se voltarem uns contra os outros. César foi assassinado por Brutus, tratado quase como um filho adotivo.

Dentro da campanha, a história de Vokjan e dos Rungjani funciona como um chamado às armas contra os opressores atuais, as Sundered Houses. Como a peça trata de eventos históricos e a queda dos Shapers é vista como algo positivo pela sociedade moderna, os vilões não podem se opor abertamente ao espetáculo. A saída é tentar censurar e manipular a obra de formas mais sutis.

O’Brien queria misturar o teatro grego antigo com a tradição elisabetana, juntando cantos, danças, coro e solilóquios. É uma ambição e tanto para uma mesa de D&D, mas o ponto mais interessante é como ele usou a história para entreter e, ao mesmo tempo, ensinar algo sobre o presente. Shakespeare conseguia capturar a alegria e a turbulência humana com uma elegância que segue relevante 400 anos depois, até em um campo criativo inesperado como uma campanha de Dungeons & Dragons.
Visão Gamer: Para quem acompanha Critical Role, a peça KoTher’ai deixa de ser só um momento teatral dentro da campanha e vira uma peça-chave da trama, já que heróis e vilões se movem ao redor dela com objetivos diferentes. Entender a inspiração shakespeariana ajuda a sacar por que a obra mexe tanto com o tabuleiro político de Aramán, mesmo sem ser uma cena de combate.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/critical-role-campaign-4-shakespeare/.
Fonte: Polygon.
2026-10-08 12:00:00








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