Silent Hill: Townfall e a escopeta que transforma o jogador no verdadeiro monstro

Em Silent Hill: Townfall, a escopeta não é só uma arma: ela vira um espelho desconfortável. A experiência é sufocante, especialmente para quem gosta de jogar no stealth e evitar confrontos. A colunista Elie Gould, da PC Gamer, relata que passou quase toda a primeira run sem usar cano, tábua ou pistola, apostando na CRTV e em estratégia. A run pacifista dela, porém, parou de vez quando a escopeta apareceu.

Atenção: spoilers de Silent Hill: Townfall a seguir.

Silent
Image credit: Konami)Fonte da imagem: PcgamerEvery horror game fan will know the liberating power of getting your hands on a shotgun in a game where you’ve done nothing but cower and run from danger—finally, you get to be the danger. Turns out the horrors are trapped inside this game with you, not the other way around.

Na seção de Richard, o objetivo é chegar ao topo de um prédio de escritórios de 10 andares, resolvendo puzzles e abrindo caminho. No meio disso surge um novo tipo de monstro da série: as widows. São criaturas ensanguentadas, com véus de carne cobrindo o rosto, que se escondem atrás de portas, embaixo de mesas ou em qualquer canto com sombra. Elas saltam, atacam com faca e somem para se esconder em outro lugar.

No começo, Gould não se incomodou. Os ataques não causam dano enorme, então ela decidiu conviver com elas por um tempo. O problema é que chegou um ponto em que não dava mais para dar um passo sem uma widow se jogar das sombras. O estopim foi quando elas atrapalharam a caça a loot — um passatempo que a colunista diz levar muito a sério. Foi aí que ela resolveu usar a escopeta e o estoque generoso de munição que tinha acumulado.

Ela limpou cada andar e fez questão de poder circular livremente pelo prédio sem ser perturbada. Só que, ao olhar para as pilhas de corpos no chão, veio o baque: tinha caído na própria raiva e repetido o ciclo de fúria e morte que prende todo mundo naquela situação, virando o verdadeiro monstro de Silent Hill.

Silent
Fonte da imagem: Pcgamer

O detalhe que fecha a conta: ao inspecionar melhor, as widows tinham fotos de entes queridos mortos presas aos corpos. Pessoas que o personagem havia matado indiretamente por ganância e hubris. Não à toa, elas estão furiosas.

Segundo a colunista, personagens complexos assim, que não foram feitos para serem amados, mas para serem analisados, funcionam muito bem em Silent Hill por causa da natureza da maldição. Richard tem turbulência, conflito interno, raiva e arrependimento suficientes para alimentar uns três Silent Hills ao mesmo tempo. Ela diz que adoraria ver mais sobre como a mente distorcida dele teria deformado St Amelia, mas que essa seção já basta. E que não vai conseguir olhar para uma escopeta em jogo de terror do mesmo jeito.

Visão Gamer: A descrição reforça como Silent Hill: Townfall usa o combate como parte da narrativa, e não só como ferramenta de sobrevivência. Para quem joga, a decisão de sacar uma arma pode carregar peso temático, algo que a própria colunista experimentou ao perceber o significado das widows depois de eliminá-las.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/games/horror/silent-hill-townfall-is-the-first-horror-game-to-make-me-feel-bad-for-using-a-shotgun/.

Fonte: PC Gamer.

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2026-10-04 15:00:00

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