2026 não vai ficar marcado como um ano de clássicos instantâneos. Há bastante coisa boa para jogar, como sempre, mas até agora nenhum lançamento conseguiu aquele status de fenômeno capaz de entrar para a história. Não apareceu nada no nível de Clair Obscur ou Baldur’s Gate 3, e as médias de reviews caíram de forma geral. Segundo o Metacritic, apenas três jogos novos — sem contar remakes, reedições ou expansões — passaram da nota 90.

Logo abaixo desse grupo, depois de nomes como Resident Evil Requiem e Fire Emblem: Fortune’s Weave, existe uma leva enorme de jogos sólidos, bem produzidos e satisfatórios, que receberam notas boas, mas não excepcionais. É aí que estão os blockbusters de 2026 que não são Grand Theft Auto 6 de um lado, nem decepções críticas como Marvel’s Wolverine e Crimson Desert do outro.
A lista é grande: 007 First Light, Gears of War: E-Day, Star Wars: Zero Company, Pragmata, Saros, Onimusha: Way of the Sword, Nioh 3, Control Resonant e The Blood of Dawnwalker. Todos têm notas entre 83 e 87 no Metacritic. É um pouco abaixo do que costuma garantir indicação a Jogo do Ano no The Game Awards, mas, fora isso, quase todos têm o perfil clássico de indicado: boa narrativa, alto valor de produção e, com exceção de Zero Company (que é de estratégia), todos ficam em algum ponto entre ação, ação-aventura e RPG leve. O autor chama esse grupo de Clube dos 85, pela média em que tantos jogos foram parar neste ano.

Do ponto de vista de quem acompanha a premiação, o interessante é que quase não há diferença de qualidade entre eles, e pelo menos seis têm chance real de indicação. Se GTA 6 e o remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time da Nintendo forem bem nas reviews e garantirem vaga automática — o que não parece exagero —, e considerando que Resident Evil Requiem e Fire Emblem: Fortune’s Weave já estão garantidos, sobram duas vagas entre os seis indicados. Esse número pode cair para uma se Big Walk confirmar a vaga de principal indie do ano, cenário que ganhou força após as indicações ao Golden Joystick Awards.

Qualquer um dos jogos citados poderia ocupar a última vaga. Talvez não Nioh 3, que parece ter sido esquecido desde o lançamento em fevereiro. Talvez não Saros, considerado nichado demais. Talvez não Zero Company, por ser estratégia — embora Fire Emblem já vá quebrar esse tabu e o jogo de Star Wars tenha apoio forte entre críticos. The Blood of Dawnwalker e Control Resonant são os que mais se parecem com indicados, mas com nota 83 a recepção foi morna; é raro ver um jogo com 83 ou menos ser indicado, ainda que o primeiro Control tenha conseguido com 82. No outro extremo, 007 First Light tem 87, mas é um jogo licenciado lançado no primeiro semestre, o que dificulta voltar ao radar crítico. Talvez sobre um caminho do meio para Pragmata.
Existem ainda azarões que podem atrapalhar qualquer um: Crimson Desert segue na conversa, embora perdendo força; Pokémon Pokopia não é candidato óbvio a GOTY, mas é um favorito sentimental que os críticos adoraram; e Phantom Blade Zero deve entrar no Clube dos 85 no fim deste mês, talvez como o principal nome do grupo, caso não tire nota ainda maior.

No fim, quase todos os integrantes do Clube dos 85 vão ficar de fora, e é possível que nenhum deles consiga indicação. É duro, mas indicação e Metascore não são tudo. Vale lembrar de Fallout: New Vegas, da Obsidian, que ficou com 84 no Metacritic e perdeu um bônus por não atingir 85. Hoje, é provavelmente o Fallout mais lembrado com carinho pela comunidade.
Visão Gamer: Para quem joga, o cenário descrito indica que 2026 tem uma oferta ampla de títulos bem avaliados e com produção robusta, mesmo sem um favorito absoluto a GOTY além de Resident Evil Requiem. Isso significa mais opções de qualidade para escolher ao longo do ano, ainda que a disputa por indicação no The Game Awards siga indefinida e dependa de poucas vagas.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/goty-watch-nominations-metacritic-85-club/.
Fonte: Polygon.
2026-10-04 10:00:00








Deixe um comentário