Enquanto X-Men ’97 segue rendendo temporadas no Disney Plus e celebra o legado de X-Men: The Animated Series, outra animação dos anos 1980 e 1990 continua sendo tratada como produto menor: as Tartarugas Ninja da série clássica. Exibida entre 1987 e 1996, a atração apresentou Leonardo, Donatello, Raphael e Michelangelo para milhões de espectadores e transformou personagens que vinham de um quadrinho independente em fenômeno mundial. Mesmo assim, o desenho costuma ser lembrado como propaganda de brinquedos, raramente citado ao lado de Batman: The Animated Series ou do próprio X-Men. A série era irregular, mas tinha momentos tão inventivos quanto os dos concorrentes mais aclamados. Estes cinco exemplos mostram isso.

“Splinter No More” (2ª temporada) traz Donatello desenvolvendo um anti-mutagênico capaz de transformar temporariamente o Mestre Splinter de rato mutante de volta no humano Hamato Yoshi — nesta versão, ele começou como humano. Depois de anos vivendo nos esgotos, Splinter volta à superfície e se incomoda com a forma como os humanos tratam uns aos outros. Quando o efeito começa a passar, ele precisa se esconder de pessoas apavoradas com um rato de quase um metro e meio. Enquanto isso, as Tartarugas encaram a possibilidade de o mestre preferir continuar humano a voltar para o esgoto. O episódio trabalha preconceito e medo da perda com a mesma eficiência que os X-Men fariam depois.

A primeira temporada inteira, formada por cinco episódios, funciona como um único arco — algo parecido com as sagas em várias partes que consagraram X-Men: The Animated Series. Quando o agente de licenciamento Mark Freedman levou a propriedade para a Playmates Toys, a empresa queria action figures e encomendou uma animação para sustentar a linha. O resultado foi a minissérie produzida pela Murakami-Wolf-Swenson, que depois viraria Fred Wolf Films. Nela, o público conhece a origem das Tartarugas e de Splinter, o primeiro encontro com a repórter April O’Neil (Renae Jacobs) e praticamente todos os vilões que definiriam a série: Shredder (James Avery), Krang (Pat Fraley), Bebop (Gordon), Rocksteady (Cam Clarke) e Baxter Stockman (também Fraley). O tom ficaria mais bobo depois, mas esses cinco episódios equilibram humor e ação como poucos.

Na 3ª temporada, “The Maltese Hamster” aposta em paródia de film noir, com narração durona de Donatello e trama inspirada em O Falcão Maltês. April compra uma estátua de hamster em uma loja de antiguidades sem saber que ela esconde a fórmula de um explosivo poderoso. Isso a coloca na mira de Shredder e do gângster Tony “The Butcher” Vivaldi (Renaday), cada um desesperado para colocar as mãos no objeto. A comédia sustenta o episódio ao abraçar as convenções do noir e preenchê-las com tartarugas mutantes, gângsteres e uma estátua de roedor valiosa.

Já “Turtles on Trial”, também da 3ª temporada, retoma o tema dos mutantes maltratados pelos humanos. As Tartarugas viram alvo do apresentador Clayton Kellerman (Townsend Coleman), que as chama de aberrações perigosas e criminosas. O discurso tem consequência: mesmo tentando impedir um crime, elas acabam perseguidas por uma multidão furiosa. O grupo aceita ir ao programa de Kellerman para se defender publicamente, e o esforço funciona. Pelo resto da série, as Tartarugas passam a ser tratadas como heroínas e quase não precisam mais se esconder. Enquanto o Professor X falava em coexistência pacífica, as TMNT alcançaram esse sonho vinte episódios depois de estrearem.

Visão Gamer: para quem cresceu jogando os games das Tartarugas Ninja ou acompanha a franquia até hoje, a discussão importa porque a série animada de 1987 é a base de praticamente todas as adaptações para consoles. Reconhecer seus méritos narrativos ajuda a entender por que esses personagens seguem rendendo reboots, coleções e novos jogos — e por que a versão clássica continua sendo a mais reconhecível do grupo.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/best-tmnt-episodes-better-than-x-men-the-animated-series/.
Fonte: Polygon.
2026-10-02 20:06:00








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