Marvel’s Wolverine já está disponível e marca a quarta parceria entre a Insomniac Games e a Marvel. O lançamento, porém, não foi dos mais tranquilos: o jogo recebeu nota 6/10 na análise oficial da IGN e virou alvo de críticas pesadas nas redes. Vale lembrar que, na escala da IGN, um 6 significa okay — ou seja, o game não é o desastre que parte da repercussão sugere, mas também não alcança o nível dos melhores trabalhos do estúdio.
O ponto que mais incomoda é um padrão que já virou marca registrada dos jogos Marvel da Insomniac: a forma como o estúdio adapta seus supervilões. Nos quatro títulos, o antagonista principal é um amigo próximo do herói, e a ruptura entre os dois é a fonte central do conflito. Em Wolverine, isso chega a um nível estranho, porque a história tenta construir essa relação com o Sr. Sinistro, um dos vilões mais sociopatas da Marvel.
Na trama, Nathaniel Essex lidera a equipe secreta Team X há quase 30 anos, num mundo sem X-Men. O jogo abre com Essex encontrando um Wolverine selvagem, e boa parte da primeira metade explora o passado dos dois. Logan credita a Essex ter salvado sua vida e lhe dado um propósito — papel que, em outras versões, costuma ser do Professor X. A virada revelando a verdadeira natureza de Essex acontece, mas soa confusa por causa de como ele é retratado no início.
A ruptura entre os dois também não convence porque se apoia na ideia de que Essex estaria violento demais antes de virar um maníaco omnicida no final. Numa cena-chave, ele tortura Trask telecineticamente, e Logan o mata por misericórdia. Só que Logan passa o jogo inteiro estraçalhando centenas de pessoas com as garras. A revelação de que Essex apagou as memórias de Logan e o reduziu a um estado selvagem já não bastaria para justificar o rompimento?
Nos quadrinhos, o Sr. Sinistro começou como cientista no século 19, obcecado por eugenia e mutação, ganhou poderes e imortalidade de Apocalipse e se tornou um dos maiores inimigos dos X-Men, com rancor especial por Ciclope e Jean Grey. Ele não tem ilusões sobre a moralidade do que faz — afinal, se chama Sr. Sinistro. É difícil imaginar alguém menos indicado para uma versão mais simpática.
Apocalipse, aliás, é parte importante do passado do jogo: ele transformou Logan em seu Cavaleiro da Morte anos atrás, e é sugerido, sem confirmação, que foi ele quem deu o esqueleto de adamantium a Logan, não o projeto Arma X. Ele fala na mente de Logan várias vezes, mas só aparece fisicamente na cena pós-créditos, na sombra. Fica a pergunta: por que Apocalipse não está aliado a Essex? No jogo, Essex nem parece saber quem ele é.
O resultado é um Sr. Sinistro moldado à força para caber na história, em vez de uma trama escrita para ele. O jogo nunca o chama de Sinistro — é sempre Essex, inclusive na barra de vida do chefe.
Essa repetição de fórmula vem desde Marvel’s Spider-Man, que funcionou justamente porque não descaracterizou o Doutor Octopus: ele era um mentor de Peter, mas continuou sendo o reflexo sombrio do que o herói poderia se tornar. O problema é que a Insomniac tentou refazer essa dinâmica em Miles Morales com o Tinkerer, em Spider-Man 2 com Venom e agora em Wolverine com Sinistro — e, segundo a crítica, todas essas histórias saem perdendo na comparação.
Visão Gamer: para quem acompanha os jogos Marvel da Insomniac, o padrão de vilão-amigo já é previsível, e Wolverine mostra que a fórmula pode estar se esgotando. A forma como o Sr. Sinistro foi adaptado é o exemplo mais claro disso até agora.
Leia mais aqui em inglês: https://www.ign.com/articles/i-am-very-tired-of-insomniacs-approach-to-marvel-supervillains.
Fonte: IGN.
IGN Articles.
2026-09-25 14:30:00








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