Tem jogo que é banido, tem jogo que é censurado e tem jogo que foi enterrado no deserto. Mas Sex Vixens from Space foi além: a remessa destinada ao Reino Unido foi apreendida e fisicamente destruída pela alfândega britânica.

O jogo é uma aventura gráfica de teor adulto desenvolvida pela Free Spirit Software e lançada em 1988. Depois da estreia nos Estados Unidos, a chegada ao mercado britânico estava prevista para o ano seguinte. A remessa foi interceptada na fronteira e nunca chegou às lojas de forma oficial.

O diretor do projeto, Joe Hubbard, comentou o episódio em declaração à The Australian Commodore and Amiga Review. Para ele, o jogo podia até ser ousado, mas não pornográfico, e a apreensão representava um ataque à liberdade de expressão artística. Na visão de Hubbard, o ato de confiscar os jogos era coisa de um governo fascista.

A premissa de Sex Vixens from Space gira em torno de rumores sobre uma colônia de mulheres conhecidas como a Tribo, que atacariam sistemas planetários rurais dominados por homens usando uma arma de raios sexuais, transformando os homens em eunucos. O jogador assume o papel de Stallion, encarregado de encontrar e neutralizar esse grupo.

A execução, porém, é tão bizarra quanto o conceito. Em determinado momento, a personagem Lila entra no quarto de hotel de Stallion dizendo que entende que ele é o homem do grande propulsor. Isso basta para que ele possa beijá-la, e a resposta dela é tirar a roupa e desabar na cama. O jogo também reserva um laboratório secreto onde fica a tal arma de raios sexuais, que é um dos elementos mais chamativos de toda a produção.

O final, no entanto, é pesado: a aventura termina com um genocídio, tratado pelo próprio jogo como a solução para as incursões da Tribo. Há uma ironia evidente aí. Hubbard acusou o governo britânico de fascismo ao destruir a remessa, mas o jogo em si flerta com uma lógica fascista ao desejar a Tribo e ao mesmo tempo temê-la, partindo direto para a eliminação do grupo como resposta.

Vale registrar que essa leitura é uma análise crítica do conteúdo, não uma intenção declarada pela Free Spirit Software. O estúdio, aliás, não pareceu ter muita clareza sobre o que estava fazendo ao longo de todo o projeto.

Visão Gamer: o caso de Sex Vixens from Space é um retrato de como a censura de jogos já foi além do bloqueio comercial e chegou à destruição física de cópias. Para quem acompanha a história do meio, é um lembrete de que a circulação de jogos nem sempre dependeu só de lojas e plataformas, mas também de decisões alfandegárias e políticas.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/games/adventure/i-played-the-adventure-game-so-scandalous-that-it-was-physically-destroyed-by-uk-customs/.
Fonte: PC Gamer.
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2026-09-19 14:56:00








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