Crise de memória leva Gigabyte a lançar novas placas AM4 e recomendar CPU de quatro anos atrás

A crise global de memória RAM está tão severa que a Gigabyte decidiu ressuscitar uma plataforma que muitos consideravam aposentada. A fabricante acaba de anunciar uma nova linha de placas-mãe para o soquete AM4 da AMD, o mesmo que se imaginava estar em desuso. A novidade chega em um momento em que os preços das memórias DDR5, necessárias para as placas AM5, estão proibitivos, e até mesmo o DDR4, a geração anterior, sofre com aumentos constantes.

A nova série, batizada de B550 X, é descrita pela Gigabyte como a atualização mais poderosa da plataforma AM4. Segundo a empresa, as placas foram projetadas para extrair o máximo do Ryzen 7 5800X3D, um processador lançado em 2022 e que, na época, já era considerado um dos melhores em custo-benefício. A Gigabyte afirma que o chip é amplamente reconhecido como o melhor processador em custo-benefício do mercado e que a placa foi feita sob medida para lidar com seus 8 núcleos, 16 threads e 96 MB de cache L3.

Gigabyte
Image credit: Gigabyte)Fonte da imagem: Pcgamer

A própria AMD decidiu trazer o 5800X3D de volta à produção neste ano, um processo que a empresa classificou como muito difícil, na verdade, muito, muito difícil. A decisão reflete a necessidade de oferecer alternativas mais acessíveis em um cenário de escassez de memória. Quando comparado aos processadores mais modernos, como o Ryzen 7 9800X3D, o 5800X3D fica para trás em desempenho bruto: ambos têm 8 núcleos, 16 threads e 96 MB de cache L3, mas o clock base do 5800X3D é de 3,4 GHz, enquanto o 9800X3D alcança 4,7 GHz. Essa diferença, somada à arquitetura mais nova, resulta em um ganho de performance de cerca de 30% para o modelo mais recente.

A nova linha B550 X traz recursos modernos, como conectividade Wi-Fi 7, um design de VRM com 10 fases e 60A DrMPS, além dos recursos proprietários da Gigabyte, como o EZ PCIe latch e o EZ-plug. São especificações que mostram um esforço de engenharia para manter a plataforma AM4 relevante, mas há um elefante na sala: por que investir em um soquete antigo em pleno 2026?

AMD
Fonte da imagem: Pcgamer

A resposta está diretamente ligada à crise das memórias. Para montar um PC com placa AM5, é preciso usar memórias DDR5, cujos preços dispararam. Com o DDR4 também sofrendo aumentos, qualquer build atual sai mais caro do que o esperado. A Gigabyte, ao lançar novas placas AM4, tenta oferecer uma alternativa para quem não quer (ou não pode) pagar os valores atuais das memórias mais modernas.

Essa estratégia, no entanto, é vista por especialistas como um paliativo. Oferecer mais opções ao consumidor é uma forma de amenizar o impacto dos preços, mas não resolve o problema de fundo. A crise de memória é impulsionada pelo crescimento acelerado da inteligência artificial, que consome uma quantidade enorme de chips de memória, superando a capacidade de produção. A Samsung, uma das três maiores fabricantes de memória do mundo, já alertou para uma grave crise de oferta no próximo ano e admitiu que, além de 2029, é difícil prever o cenário, devido à visibilidade limitada.

Na prática, quem deseja montar um computador com preço razoável terá que esperar por promoções ou buscar peças usadas, recorrendo a soquetes e memórias de gerações anteriores. Montar um PC com AM4 não é o fim do mundo, e ainda é possível jogar bem com essa plataforma, mas a situação evidencia o tamanho do problema. A volta do AM4, com direito a novas placas e um processador relançado, é um sinal claro de que a crise de memória veio para ficar, pelo menos nos próximos anos.

Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/hardware/motherboards/gigabyte-is-launching-b550-am4-motherboards-and-recommending-four-year-old-cpus-because-the-memory-crisis-is-really-that-bad/.

Fonte: PC Gamer.

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2026-08-04 10:54:00

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