Adeus aos discos de PlayStation: por que não vou sentir falta dos CDs, DVDs e Blu-rays

O anúncio da Sony de que vai encerrar a produção de jogos físicos para PlayStation pegou muitos de surpresa e gerou debates acalorados sobre o futuro da mídia física. O colunista Oli Welsh, do site Polygon, não esconde sua decepção com a decisão — mas faz uma ressalva importante: os discos ópticos em si, usados nos consoles desde o primeiro PlayStation, nunca foram um bom formato para videogames. Para ele, a indústria pode estar perdendo algo valioso com o fim dos jogos em caixinhas, mas os discos, esses sim, podem ir embora sem deixar saudades.

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Fonte da imagem: Polygon

Welsh afirma ser um defensor da mídia física. Ele coleciona filmes em Blu-ray, só lê livros de papel, tem CDs e discos de vinil, e compra jogos físicos de Switch para os filhos. Reconhece que há razões importantes para apoiar o formato físico: a preservação da arte, a questão legal e financeira da propriedade pessoal, e a possibilidade de compartilhar, emprestar, trocar, presentear ou simplesmente guardar um objeto. Mas, quando se trata dos discos em si, ele é categórico: “boa viagem”.

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Image: Sony Interactive EntertainmentFonte da imagem: Polygon

O problema, segundo o colunista, começou nos anos 1990, quando a Sony introduziu os CDs como mídia para jogos. Para música e filmes, os discos ópticos funcionam bem: armazenam muita informação, sofrem pouca degradação com o tempo e têm tempos de acesso aceitáveis para uma reprodução linear. Para games, porém, a história é diferente. Os discos são lentos, barulhentos e pouco confiáveis quando o jogo precisa ler dados constantemente. Um arranhão que em um CD de música causa apenas um pulo, em um jogo pode tornar a experiência impossível.

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Fonte da imagem: Polygon

Welsh relembra sua própria experiência com o PlayStation original: precisava virar o console de cabeça para baixo para conseguir ler algum disco. Na era do PS2 e PS3, os tempos de acesso eram um problema real. Para contornar as limitações, os desenvolvedores passaram a instalar os jogos no HD do console — um processo demorado que consumia espaço de armazenamento e tornava o disco quase um item decorativo. “Eles cavaram a própria cova”, escreve.

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Fonte da imagem: Polygon. Polygon – Graphic – PS5 Retrospective

Há também uma questão conceitual. Os discos ópticos foram criados pela indústria de áudio para substituir o vinil, seguindo a mesma lógica de obras temporais, com início, meio e fim. Você coloca o disco, aperta play, senta e recebe a arte. Mas os videogames são interativos, instantâneos e abertos — podem durar um segundo ou cem horas. São uma mídia de leitura e escrita, uma troca entre jogador e artista. Por isso, Welsh defende que os jogos pertencem a chips de silício, ou seja, aos cartuchos.

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Fonte da imagem: Polygon

O colunista lembra que a Nintendo, ao romper a parceria com a Sony no projeto do “Nintendo PlayStation” e voltar aos cartuchos para o Nintendo 64, cometeu um erro histórico que deu origem a um concorrente poderoso. Mas, ao mesmo tempo, acertou: os jogos da Nintendo em disco nunca pareceram certos, e hoje, de volta ao silício, a empresa parece mais em paz consigo mesma. “Sim, jogos físicos para sempre. Mas não esses discos arranhados, frágeis, lentos e barulhentos. Não vou sentir falta quando eles se forem”, conclui.

O artigo também faz referência a outros textos do Polygon sobre o mesmo tema: Giovanni Colantonio alerta que mesmo os colecionadores de jogos digitais têm muito a perder com a retirada da Sony dos jogos físicos, e Jen Glennon analisa o que a decisão significa para o futuro do PlayStation 6. Além disso, a newsletter Patch Notes, que publica o texto, é enviada às sextas-feiras e publicada no site aos domingos, com curadoria do melhor conteúdo do Polygon.

Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/patch-notes-playstation-discs/.

Fonte: Polygon.

2026-07-05 12:01:00

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