A Wrong Organ, estúdio responsável pelo aclamado Mouthwashing, apresentou oficialmente seu próximo projeto: Carcass Clad. O anúncio ocorreu durante o PC Gaming Show de junho de 2026, e o jogo já desperta curiosidade por ser uma guinada radical em relação ao título anterior. Enquanto Mouthwashing era uma experiência single player focada em narrativa e atmosfera opressiva, Carcass Clad é um jogo cooperativo para três pessoas que controlam um tanque em uma cidade tomada por horrores. Em entrevista ao PC Gamer, os desenvolvedores Jeffrey Tomec e Dave van Egdom explicaram que a mudança para o multijogador não foi motivada por tendências de mercado, mas sim pela própria natureza da ideia original.
De acordo com Tomec, a premissa inicial era um jogo de tanque no qual um único jogador controlaria três tripulantes simultaneamente. “Tivemos uma ideia legal para um jogo de tanque, e seria um jogo onde você controla três pessoas ao mesmo tempo. Então pensamos: ‘Isso parece que poderia ser um jogo cooperativo.’ E agora é um jogo cooperativo”, afirmou. A transição aconteceu muito cedo no desenvolvimento. Van Egdom revelou que as primeiras conversas sobre o “Tank Game” começaram em julho de 2024, e apenas três meses depois Tomec propôs transformá-lo em um jogo cooperativo. A decisão, segundo eles, foi natural e não envolveu qualquer hesitação estratégica.

A visão central de Carcass Clad é recriar a tensão e o caos de filmes de tanque de guerra, transformando situações roteirizadas em gameplay emergente. No trailer de revelação, por exemplo, o tanque dos jogadores é surpreendido por um inimigo ao virar uma esquina – um erro que, para Tomec, será comum na prática. “Pode ser muito estressante e muito difícil de enxergar, já que o veículo é apertado, então as coisas tendem a se aproximar sorrateiramente”, explicou. O jogo aposta na claustrofobia e na comunicação entre os jogadores como pilares da experiência.
Cada um dos três jogadores assume um papel específico e limitado: motorista, artilheiro e comandante. O motorista e o artilheiro têm visibilidade reduzida – o motorista praticamente dirige às cegas, sem conseguir olhar para fora enquanto se move, e o artilheiro fica restrito a uma visão super ampliada, como um atirador de elite que não pode sair da mira. O comandante, por sua vez, tem acesso a um periscópio, pode fazer medições de distância, traçar rotas e enviar instruções aos colegas, mas não controla diretamente as funções do tanque. “Ser comandante é a fantasia do ‘homem na cadeira’”, disse Tomec. O desafio principal do jogo é justamente a comunicação: o comandante precisa fornecer informações claras para que motorista e artilheiro ajam de forma eficiente.
Apesar da atmosfera pesada, os desenvolvedores garantem que haverá momentos de respiro. Van Egdom comparou a estrutura das partidas a Left 4 Dead, com salas seguras entre os trechos de ação. “Uma campanha não é ficar sentado por duas horas se movendo constantemente. Você terá pausas, e nas salas seguras provavelmente poderá sair do tanque”, afirmou. Ele ressaltou, no entanto, que o jogo ainda está em desenvolvimento e tudo pode mudar. “Vamos fazer o que for preciso para deixar o tanque maneiro. Essa é a base.”

Outro elemento curioso é o uso de carcaças nos tanques inimigos. O título “Carcass Clad” (revestido de carcaça) se refere a uma espécie de armadura improvisada que apenas os veículos adversários utilizam. Os jogadores terão que destruir essa camada antes de danificar o tanque em si. Tomec explicou que, por uma questão prática de perspectiva – já que os jogadores quase não veem o exterior do próprio veículo –, a personalização defensiva não será um foco. No entanto, o horror pode invadir o interior: “Você pode acabar com coisas estranhas dentro do tanque, e parte dessa estranheza carcaça pode entrar no seu veículo”, adiantou.
Wrong Organ busca um equilíbrio entre o realismo militar e a diversão cooperativa descompromissada, algo que Tomec compara a Helldivers. “Helldivers explora uma tonelada de mecânicas de simulador militar em uma estrutura muito distante de um milsim, e nós gostaríamos de ser quase um equivalente para tanques”, disse. O estúdio rejeita o rótulo de “friendslop” (gênero de jogos cooperativos casuais e caóticos), preferindo cunhar o termo “friendsweat” – uma mistura de suor e amizade, onde a tensão e a cooperação andam juntas. “Definitivamente não estamos no nível de Peak, mas também não estamos tentando fazer Arma”, resumiu Tomec, referindo-se a dois extremos do espectro cooperativo.
Carcass Clad ainda não tem data de lançamento, mas promete manter a essência perturbadora de Mouthwashing em um formato mais dinâmico e multiplayer. Para quem busca uma experiência cooperativa que exija comunicação constante e resista à ideia de “vender o jogo” para o mercado de massa, o novo título da Wrong Organ parece uma aposta certeira.
Leia mais aqui em inglês: https://www.pcgamer.com/games/horror/mouthwashings-follow-up-is-self-described-friendsweat-where-3-players-struggle-to-operate-a-tank-in-a-defiled-city-were-definitely-not-quite-at-peak-but-were-not-trying-to-make-arma-either/.
Fonte: PC Gamer.
PCGamer latest.
2026-07-03 21:31:00








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