A nova série de terror da Netflix, ‘A Queda da Casa de Usher’, criada por Mike Flanagan (de ‘Missa da Meia-Noite’ e ‘A Maldição da Residência Hill’), já está disponível e promete ser uma das produções mais marcantes do gênero em 2023. Com oito episódios perturbadores, a minissérie acompanha a trajetória dos gêmeos Roderick e Madeline Usher, que passam de jovens lutando para sobreviver a magnatas da indústria farmacêutica, donos da Fortunato Pharmaceuticals, conhecida pelo opioide milagroso Ligodone. A trama, no entanto, começa com Roderick (interpretado por Zach Gilford quando jovem e Bruce Greenwood na velhice) isolado em sua mansão em ruínas, convencido de sua ruína após a morte de todos os seus seis filhos. Ele então narra sua história a Dupin (vivido por Carl Lumbly como detetive novato e Malcolm Goodwin como advogado experiente), um amigo de longa data que se tornou rival e dedicou a carreira a expor a corrupção da Fortunato.

A série não segue uma linha do tempo linear, mas sim uma estrutura não linear que mescla o passado e o presente, revelando aos poucos como a ganância e a ambição levaram a família Usher à destruição. Flanagan, conhecido por reaproveitar atores de seus trabalhos anteriores — como sua esposa Kate Siegel, Rahul Kohli, Samantha Sloyan, T’Nia Miller, Carla Gugino e Ruth Codd —, entrega aqui algumas das melhores atuações de seu elenco regular, dando vida a personagens detestáveis com performances cheias de nuances.
O grande destaque, porém, é Carla Gugino no papel de Verna, uma figura misteriosa que assombra os gêmeos Usher tanto no passado quanto no presente. Assim como o corvo no famoso poema de Edgar Allan Poe simboliza a morte, a aparição de Verna provoca um aperto no coração do espectador. Gugino transita entre a simpatia e a tortura com maestria, mantendo o público sempre em suspense sobre o que esperar. Seja trazendo carnificina ou cuidado, Verna e o mistério que a cerca são o motor que faz o espectador clicar em ‘próximo episódio’ assim que os créditos começam a rolar.

A série é uma adaptação moderna e livre de várias obras de Edgar Allan Poe, incluindo contos e poemas, e os insere em um contexto contemporâneo ao abordar temas como a crise dos opioides. Flanagan consegue unir o terror gótico do autor americano com uma crítica feroz à ganância corporativa e aos executivos que lucram com a dependência química. O resultado é uma tapeçaria horrífica e bela, que mescla o visual gótico — com iluminações que realçam o terror nos olhos dos personagens e imagens como uma máscara de caveira em meio a pessoas comuns — com uma narrativa que não poupa críticas ao sistema.

Embora os trabalhos anteriores de Flanagan, como ‘A Maldição da Residência Hill’ e ‘A Maldição da Mansão Bly’, sejam frequentemente citados como seus melhores, ‘A Queda da Casa de Usher’ se destaca por sua fúria contra a ganância e por ser uma obra profundamente complexa e atual. A série não apenas entretém, mas também provoca reflexão sobre o poder das corporações e as consequências de suas ações.
Com uma narrativa que começa já revelando o final — a queda da família Usher —, a série prova que, como em toda grande história gótica, o que importa é como a história é contada. E Flanagan conta essa história de forma magistral, prendendo o espectador do início ao fim. ‘A Queda da Casa de Usher’ é, sem dúvida, uma das séries mais satisfatórias para quem gosta de ver o mal sendo punido, e uma adição imperdível ao catálogo da Netflix para os fãs de terror e suspense.
Leia mais aqui em inglês: https://www.polygon.com/the-fall-of-the-house-of-usher-netflix-mike-flanagan/.
Fonte: Polygon.
Polygon.com.
2026-06-12 11:00:00








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