A linha ROG Zephyrus G14 sempre foi uma das favoritas entre quem busca um notebook gamer fino e leve, capaz de encarar trabalho e lazer sem fazer feio. Mas a versão de 2026, agora equipada com processadores Intel Panther Lake, chega com um preço que assusta: a configuração avaliada custa US$ 3.600 (cerca de R$ 20 mil em conversão direta). O modelo de entrada sai por US$ 3.450. Para quem acompanha a série desde o lançamento, em 2020, o salto é brutal – naquela época era possível encontrar uma unidade por menos de US$ 1.400.

O que mudou? Além dos aumentos graduais de preço que a Asus vem aplicando há anos, o chamado “RAMageddon” – a escassez global de memória causada pela demanda de data centers de IA – encareceu componentes como RAM e SSDs. A versão com Intel Core Ultra 9 386H, RTX 5070 Ti, 32 GB de RAM e 1 TB de SSD custa US$ 1.000 a mais que uma configuração quase idêntica da geração anterior, que usava AMD. A Asus mantém os modelos AMD de 2025 como opções mais baratas, mas não há garantia de que esses preços não subam também.

Apesar do custo elevado, o G14 continua sendo um notebook excepcional. O design é praticamente o mesmo da reformulação de 2024, com pequenos refinamentos: mais LEDs na iluminação frontal e aberturas circulares na base, no lugar das retangulares. O teclado tem curso generoso e é superado apenas pelos ThinkPads da Lenovo; o trackpad mecânico é firme e satisfatório. A tela OLED de 14 polegadas (2880 x 1800, 120 Hz) ficou mais brilhante: 500 nits em SDR e até 1.100 nits em HDR, contra 400 e 500 nits do modelo anterior.
Um dos grandes destaques é a bateria. Nos testes, o G14 durou mais de 17 horas em reprodução de vídeo, contra 8,5 horas do modelo AMD de 2025. No uso real, com dezenas de abas do Chrome, Slack e streaming de música, passou de 10 horas com 80% de brilho. Em tarefas pesadas, como edição de fotos RAW no Lightroom, a autonomia cai para 5 a 6 horas – ainda assim, muito boa para um notebook gamer.

O desempenho é outro ponto forte. O chip Panther Lake mantém a performance mesmo longos da tomada, com queda pequena em tarefas multi-core e GPU. Em jogos, o G14 se sai muito bem: Battlefield 6 roda entre 65 e 70 fps em resolução nativa no preset Alto, sem DLSS; Helldivers 2 chega a 80-90 fps; Marathon fica na casa dos 70 fps com DLSS em Qualidade. A parte inferior esquenta bastante, mas o teclado permanece confortável.

A conectividade também foi atualizada: agora são duas portas USB-C (uma Thunderbolt 4), duas USB-A, HDMI 2.1 e, finalmente, um slot SD de tamanho completo – algo que muitos criadores de conteúdo pediam. O webcam de 1080p é apenas mediana em baixa luz, e o SSD é cerca de 12% mais lento que o da geração anterior, mas são falhas menores.

O grande problema é o preço. Por US$ 3.600, um MacBook Pro 14 com chip M5 Max oferece desempenho superior em tarefas de CPU e bateria ainda melhor – mas não roda jogos com a mesma desenvoltura. Já o Asus ROG Strix Scar 16, por US$ 3.300, tem tela Mini LED de 240 Hz e desempenho gráfico muito superior, mas é um trambolho que sacrifica portabilidade e autonomia. O G14 tenta equilibrar tudo, e consegue, mas a conta ficou salgada demais.
No fim, o Zephyrus G14 2026 é um notebook brilhante para quem precisa de um único aparelho que faça de tudo: trabalhe, edite fotos e vídeos, jogue qualquer título moderno e ainda dure o dia todo longe da tomada. Mas, com o preço atual, ele deixou de ser a boa relação custo-benefício que um dia foi para se tornar mais um item de luxo no mercado de PCs. Para quem não se importa em abrir mão de alguns recursos, a versão do ano passado com AMD ainda é uma escolha muito mais racional.
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Gaming | The Verge.
2026-05-22 13:00:00








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